20 de dez de 2011

Procura Insaciável (1971)

Título Original: Taking Off
Ano: 1971
País: EUA
Diretor: Milos Forman
Gênero: Comédia, Drama, Musical
Elenco:
Lynn Carlin (Lynn Tyne)
Buck Henry (Larry Tyne)
Georgia Engel (Margot)
Tony Harvey
Linnea Heacock (Jeannie Tyne)
Entre outros...


Opinião:

  Pelo visto, até agora não existe legenda decente em português para este filme, foi preciso suar a camisa para assistí-lo.



  Primeiro: as legendas disponíveis estão em espanhol e em inglês.

  Segundo: a versão foi traduzida pelo Google Tradutor e esse recurso instantâneo na maioria das vezes não é de qualidade.

  Terceiro: Após a tradução, foi preciso transformar o texto no formato .srt e inserir o traço (-) em toda sua extensão, consumindo muito tempo.

  Quarto: Esta foi a parte mais corroedora, depois de todo o trabalho de colocar o traço (-), a legenda não estava no formato do filme e a quase todo minuto tinha que ser ressincronizada pelo “Subtitle Workshop”, do início ao fim da película.

  Tudo isso gerou uma considerável tensão, prejudicando a harmonia com a fita, contemplação e entretenimento. Porém, de todos os filmes do Milos Forman que vi, esse foi o menos agradável, não só pelo trabalho incômodo que tive para conhecê-lo, mas pelo conteúdo em si, que não foi tão forte como os outros. Enfim, no momento não tenho condições de resenhar “Procura Insaciável”, entretanto, agora está tudo bem, a legenda em acordo com o filme, mesmo com a tradução precária do Google, embora compreensível. Da próxima vez que rever, vou julgar a obra com mais convicção.

Resultado: Regular / Bom

14 de dez de 2011

Plot Device (2011)

Curta-metragem estadunidense
Título Original: Plot Device
Ano: 2011
País: EUA
Diretor: Seth Worley
Gênero: Curta-metragem, Aventura
Elenco: Ben Worley


Opinião:

  Outro modelar curta-metragem que merece ser compartilhado com vocês. É mais um show de imagens e efeitos especiais, um ótimo exercício do cinema comercial, não dando importância ao conteúdo ou qualquer mensagem elucubrativa. Servindo como um bom e simples entretenimento, embora científico, explicações dos acontecimentos mostrados não são necessários, pelo contrário, perderia a leveza e comicidade, a intenção foi bem sucedida, fazer algo descontraído. “Plot Device”, um “short film” norte americano, dirigido por Seth Worley, segundo informações, faz referências notórias a alguns gêneros de filmes, como Romance, Drama e Terror, além da propaganda ao "RedGiant Magic Bullet Suite v11", software profissional para cineastas. Não há muito o que dizer, apenas sentar e curtir esse excelente filme.


Link do programa RedGiant: http://www.superdownload.us/baixar-redgiant-magic-bullet-suite-v11-64bit-2011/


Resultado: Excelente!


Filme Completo:



Suspiros & Café (2009)

Curta-metragem nacional


Título Original: Suspiros & Café
Ano: 2009
País: Brasil
Diretores: Gabriel Dib, Diogo Sinhoroto
Gênero: Curta-metragem, Drama
Elenco: Rafael Rodriguez, Juliana Figueiredo


Opinião:

  Ambiguidade alegórica no significado da missiva visual, dos fragmentos do suspiro junto ao café, fazendo parte desse meio e mantendo-se um tanto ermos, mesmo estando coligados, existia uma minuciosa barreira que os afastava. Como quisessem penetrar em um mundo tão próximo e aquecido, mas de difícil acesso por essas individuais propriedades. Um curta-metragem (10 minutos) primoroso, dá gosto de ver uma produção assim.

  Apesar de um filme resumido, impressiona o seu inversamente proporcional, a riqueza de mensagens esmiuçadoras, as imagens bem trabalhadas, a brincadeira que faz com o observador. Entretanto, o que genuinamente expande os argumentos são as metáforas (brilhantemente usadas), que se pensadas bem, geram muitos níveis de sugestões, dando a entender que cada detalhe possui sua dimensão abundante em conteúdo, significado. Uma microscopia estimulante, à medida que amplia a capacidade da visão, novas descobertas surgem em sua elevada beleza. Aqui o “suspiro” tem duplo sentido, o de adoçar o café e o de extravasar emoções, em suave tom romanesco; já o café com seu sabor amargo, austero e sisudo, pode perfeitamente ficar doce como o suspiro, se for bem dissolvido, que de fato não foi. Isso pode ser percebido nas atuações, que logravam sua leve consistência profissional, todavia, pareciam um tanto amadoras, propositalmente, mas não no contexto da história, que já cria um vínculo de envolvimento logo nos primeiros segundos. Afinal, o autor si inspirou no cinema mudo, do tipo aplicado por Kim Ki-duk, em “Fôlego”?




  “Suspiros & Café” é um curta-metragem exemplar. Existem várias outras interpretações a serem descritas, no entanto, essas são as mais nítidas. É importante notar também que a ficção seduz a realidade, confundindo-a. Esse é outro ponto que fica bem evidente. Recomendado como bom entretenimento e pela delgadeza.


Resultado: Excelente! 


Filme Completo:





12 de dez de 2011

Um Animal Menor (2009)

Curta-metragem
Título Original: Um Animal Menor
Ano: 2009
País: Brasil
Diretores: Marcos E. Contreras, Pedro Harres
Gênero: Curta-metragem, Suspense, Thriller
Elenco:
Elisa Volpatto
Jorge Wisniewski


Opinião:

  Excelente curta-metragem brasileiro. Um trabalho cuidadosamente realizado, cativante, com uma trama tensa, réproba, egoísta, carcereira, não só das personagens, mas também pela capacidade em envolver, sugar pela estória, mantendo a proposta até seu término, sem se desorientar.
  

  Uma das qualidades notórias de “Um Animal Menor” é a fusão de singeleza e profissionalismo (tanto pelo rumo técnico assim como a forma de conduzir as filmagens), por ter uma trama simples e mesmo assim ser bastante convincente, conseguindo prender pela curiosidade do desfecho, atinar as motivações das personagens (afinal, porque ambas estão naquela situação?). Igualmente, a figura antagonista, que nem precisa de introdução, apenas pelo clima e maneira suavemente insólita, paradoxal, de interagir com a “vítima”, reforça tudo isso em seu decorrer. Aliás, as duas figuras não necessitam de prévia apresentação, isso já ocorre à medida que o tempo passa. A mulher, sem saber, ficou presa em uma cratéra e o garoto fica ali com ela, e pronto. Mesmo pela ausência de dados sobre o que gerou aquela sufocante condição, não enfraquece o magnetismo do filme. Ótima atmosfera lúgubre e erma trabalhada, dando azos à vazios existências, o que em aparência é genuíno, não esquece de enfatizar a corda falsa da confiaça, de que tudo aquilo pode ser ilusório ou um pesadelo interminável. Quiçá, o que negativa um pouco esse bom curta, seja alguns diálogos desnecessariamente instrutivos, por exemplo: “Você precisa comer para não morrer de fome!!” Dado estado deplorável, dizer “Você precisa comer!!” já é o bastante, inculca mais respeito, austeridade e controle. Atitude exemplar também, que é muito gratificante para quem aprecia Cinema, é exibir os bastidores, mostrando um pouco sobre como foi feito. “Um Animal Menor” tem Making Of de Arte, Montagem, Direção, Fotografia e Produção, tudo isso está disponibilizado no YouTube.




  Caso não tenha visto o curta, não leia mais a partir daqui. Uma interpretação que pode ser alcançada em seu final, é o estudo dos delírios de um menino deprimido e isolado. A água do poço representava o reflexo de sua tristeza, criando imaginariamente uma mulher que lograva ter domínio, até sexual. Os insultos que ela mirava na verdade eram produtos de sua autocrítica, era ele discutindo com si próprio, com seu modo de viver. A corda figurava-se o caminho de tirá-lo do poço, da mesmice, da pena que tinha si e emular com bravura as peripécias da vida. Lógico que isso é apenas um ponto de vista, assim como existem outros, pois a missiva é aberta.


Resultado: Bom / Excelente!


Um Animal Menor (completo): 




Trailer:



Making Of de Arte:





Making Of de Montagem:





Making Of de Direção (1):





Making Of de Direção (2):





Making Of de Fotografia:




Making Of de Produção:





11 de dez de 2011

I Miss Sonja Henie (1971)

Curta-metragem
Título Original: I Miss Sonja Henie
Ano: 1971
País: Sérvia
Diretores: Karpo Acimovic-Godina, Milos Forman, Tinto Brass, Buck Henry, Dusan Makavejev, Frederick Wiseman, Mladomir ‘Purisa’ Djordjevic, Paul Morrissey
Gênero: Drama, Curta-metragem
Elenco:
Brooke Hayward
Sonja Henie
Branko Milicevic
Catherine Rouvel
Dobrila Stojnic
Srdjan Zelenovic


Opinião:

  O curta-metragem “Sinto Saudades de Sonja Henie” (título traduzido) demonstra ser um projeto bem pessoal, com participação conjunta com vários diretores, entre eles Milos Forman e Tinto Brass. O tempo todo o curta não assume posição descritiva simples, dando base a interpretações subjetivas em níveis diversos.

  A própria sinopse já diz bastante, dando a entender, depois que assiste, que não passa de um jogo lúdico e oportunidade de interagir com outros cineastas, uma brincadeira entre eles. O que deixa inequívoco, de fato, é o tributo a Sonja (ou Sonia) Henie, uma patinadora artística e atriz norueguesa que faleceu numa viagem de avião, sendo um choque, já que ela era muito admirada como artista, igualmente pela beleza. O bem desconhecido cinegrafista Karpo Acimovic-Godina (responsável pela ideia) convidou outros diretores para gravar trechos e obrigatoriamente tendo a frase “I miss Sonia Henie” em cada um deles. O filme varia entre saudosismo, melancolia, delírio, desejo sexual, bizarrice, instinto, mas tudo com muito humor, ou bobeira, como alguns diriam, só não dizem muito porque o curta-metragem é bastante incógnito.

  Mas que tributo libidinoso é esse? Parece mais uma dedicatória de um fã onanista (Risos!) ou de alguém que conviveu reconditamente com a celebridade em questão, criando um vínculo solitário, venéreo e fictício com sua musa, que a morte fortuita causou de alguma forma a abstinência. Talvez seja isso mesmo, “abstinência”. Não afetando apenas os homens carentes, mas também uma exclusividade feminina.

Resultado: Bom.

10 de dez de 2011

O Baile dos Bombeiros (1967)

Título Original: Horí, má panenko
Ano: 1967
País: República Tcheca
Diretor: Milos Forman
Gênero: Comédia
Elenco:
Jan Vostrcil
Josef Kutálek
Stanislav Holubec
Josef Sebánek
E mais...


Opinião:

  Caçoação de primeira ao regime comunista na década de 60 da República Tcheca, a crítica burlesca alastra em degraus até lograr um nível gritante, embora o próprio autor revele em uma entrevista que essa não era a intenção dele, mas apenas realizar um filme cômico com esses fatos. Disse também que toda essa controvérsia foi principalmente fruto de uma desconfiança que o próprio regime tinha de si mesmo, sentindo-se ameaçado. Ainda mais com o surgimento da Nouvelle Vague, estilo artístico do cinema francês que vinha ganhando cada vez mais espaço, tentando derrubar os muros dos filmes comerciais daquele período.


  Vendo “O Baile dos Bombeiros” com a perspectiva dos dias recentes, fica meio difícil compreender o espírito da polêmica gerada na época, que para nós podem chegar até despercebidas essas missivas razoavelmente disfarçadas e acusadoras, mas elas estão bem evidentes, como o sarcasmo, desmoralização, parecendo tatuar na testa de cada personalidade ali presente a palavra “palhaço”. O efeito foi tão montanhoso, despertando revolta no governo, que Milos Forman foi perseguido e proibido de realizar fitas na Tchecoslováquia, então o cineasta dá adeus ao cinema checo e abraça a emulação de trabalhar no país da sétima arte, os Estados Unidos da América. Iniciando com “Procura Insaciável” (1971) ou conhecido também como “Os Amores de Uma Adolescente”, para em seguida marcar seu nome de uma vez por todas com o louvado “Um Estranho no Ninho” (1975). Com uma classe distinta que Forman ostentou em “Pedro, O Negro” (1964) e “Os Amores de Uma Loira” (1965), mesmo que esses dois filmes não tenham conotação política relevante, limitando-se à comédia e modo de vida, “O Baile dos Bombeiros” demonstra não se preocupar em construir previamente uma situação “identifical-familiar”, que é, de fato, a boa sacada dos anteriores filmes, gerando uma agradável comicidade insinuante, com detalhes característicos, ou seja, não chega a ser tão engraçado como os outros. Redundância: a comédia dessas obras do Forman não é desse tipo que muitos de vocês geralmente assistem, grotescas ou dinâmicas. Aqui as coisas são muito mais refinadas, singelas e inteligentes; exigem um certo grau de maturidade do espectador para serem contempladas. Um bom filme.


  Agora a resenha vai adentrar em seu lado mais descritivo dos acontecimentos, portanto, se você ainda não viu ao filme, deixe de ler. O Corpo de Bombeiros planeja uma solenidade para comemorar os 86 anos de seu ex-chefe de departamento, que está sofrendo de cancêr, porém, o próprio parece não saber disso ou talvez tenha conhecimento de seu estado clínico, então o grupo de bombeiros procura manter sigilo na entrega do pequeno machado de ouro, para não parecer que está homenageando só por causa de sua doença. Isso já seria início de uma sátira a bioquice da burocracia? Se olhar bem, pode ser visto que sim, mesmo não sendo a intenção do cinegrafista ou tal cena trate da conveniência moralmente aceita de qualquer trabalho, que a mentira é mais certa que a verdade em momentos peculiares. A fita faz questão de enfatizar os requintes do objeto a ser entregue, tendo sua abertura com ele e logo de frente simbolizando poder, honra ao mérito à alguém que fez muito pela Corporação. Admito que não sei do valor histórico desse ícone, entretanto, imagino que não seja fundamental para a Organização, pois na reunião todos eles olham cuidadosamente e como algo um tanto desconhecido. Começa então a modelagem da festa e a depreciação passa a assumir um teor mais patente com o sumiço de alimentos e a falta de eficácia em manter a ordem, cujas personagens fazem papéis ridículos e engraçados onde preferem apagar o fogo em um cartaz que auxiliar uma pessoa em perigo, chegam a lembrar “Os Três Patetas” ou “Os Trapalhões” pelo tipo de burlesquidade que se baseia na ignorância. E assim é sua introdução, com um cartaz a figurar os bombeiros apagando um incêndio e em sua totalidade sendo consumido em chamas, metaforizando que “bombeiro” e “nada” são a mesma coisa, dar-se pouco valor a eles e a burocracia; para causar um efeito a mais, o plano de fundo dos créditos iniciativos é composto por fotos dos trabalhadores críveis e com uma trilha musical circense.




  O concurso de beleza, um dos eventos principais do Baile, é dirigido pelos membros do Corpo e as candidatas são escolhidas a dedo, mesmo sem o consentimento delas, apenas por se encaixarem no padrão de sedução aceito. Eles insistem com palavras diretas e de maneira que as candidatas fiquem sem opções, a não ser concordar com o convite. Outras vezes as trazem bruscamente para preencherem umas lacunas no número de escolhidas. Depois de tudo, eles se reúnem com elas atrás das cortinas para definirem os “parâmetros” do desfile, o que ficam bem duvidosos esses intentos pela semelhança abusiva sexual que contorna, nem por aproximações físicas, todavia, pela atmosfera criada em torno, dando a entender que vai além de uma básica competição, ainda mais com a figura materna presente, como se fosse a trava de segurança contra os atos ilícitos, que eles tentam desconcertantemente afastar, tornando-os ainda mais suspeitos. As próprias candidatas já são uma ironia em si, algumas estão despadronizadas ou têm sua beleza singular, exótica. Na hora de coroar a mais bonita o ritmo desanda negativamente, gerando uma confusão de complicado controle que o Milos Forman aproveita para dá closes íntimos, reforçando melhor sua proposta de um filme descontraído.


  Chegado o trecho da película que pode ser visto como mais uma denúncia contra o desempenho da Corporação de Bombeiros e a burocracia, que neste momento em que eles estão na gandaia, na baderna; algo de importante e grave está vingando do outro lado, onde uma enorme casa incendeia com um senhor dentro. Eles partem para amenizar o estrago, mas a falta de estrutura em solucionar o problema deixa a desejar, ainda para piorar, um dos integrantes do Baile tem a ousadia de pedir emprestada a mesa da casa incinerada para vender bebidas. São detalhes, minúcias, que se forem interpretados, ganham muito significado. Os pequenos furtos continuam sua trajetória discreta, dessa vez raptando os prêmios do concurso, já nem vou mais citar a palavra “ridículo” para não ficar excessivo, onde a solução que eles encontram acabam tendo resultados desastrosos para o próprio grupo, acompanhado com o argumento que é preferível não sujar a imagem da Instituição que ser honesto e devolver os objetos furtados em ocasiões impróprias.


  O ex-chefe da Corporação, já é o ícone propositalmente pintado para ser bobo, onde a fatuidade e candidez se mesclam. Composto por atos falhos em seu grau acima da média do risível, no entanto, com atitudes bem simpáticas e palavras bonitas nos momentos certos, até a expressão ingênua. O final é ótimo, tanta altercação para nada, massacra o comunismo. “O Baile dos Bombeiros” é a última obra checa do Milos Forman e seu primeiro filme colorido. Jucundo!


Resultado: Bom / Excelente! 


Torrent: http://www.kat.ph/milos-forman-the-firemen-s-ball-1967-criterion-t1145577.html
Legenda (é preciso sincronizar): http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3475493/hori-ma-panenko-pb

6 de dez de 2011

Pedro, O Negro (1964)

Título Original: Cerný Petr
Ano: 1964
País: República Tcheca
Diretor: Milos Forman
Gênero: Drama
Elenco:
Ladislav Jakim
Pavla Martinkova
Jan Vostrcil
Vladimír Pucholt
Pavel Sedlacek


Opinião:

  Estágio típico de um jovem em composição, fase que irá lhe definir homem, responsável, chefe de família. Um pouco mais da abertura do filme fica notável a apatia de Pedro (Petr, no original), sua falta de discernimento é cômica e seria uma maldade dizer que é um estado normal dessa idade.

  Pedro é um adolescente corriqueiro como qualquer outro, débil em umas situações e sarcástico em outras. Ele parece raciocinar desprovido de aval próprio, faz o que lhe mandam sem medidas, talvez efeito de um desinteresse profundo ou inibição. Precisa passar por importantes reformas, que são guiadas pelo seu censor pai, inclusive o ator Jan Vostrcil que fez a personagem paterna, usurpa para si todas as cenas que está presente, que segundo informações nem era um intérprete por profissão e sim, líder de uma banda musical. O singelo motivo disso é pelas ótimas cadências que mostrou em tela, fazendo muito bem o papel de um pai protetor e experiente, cuja personagem representava a marca conservadora e crítica do sistema, mostrando ter bastante conteúdo como consequencia de tanto esforço em manter a condição familiar. “Suporte isso por um ou dois anos e será um homem.” Ou seja, o peso de uma boa vida, a responsabilidade que isso exige é tratado como valor de todos, como irrefutáveis, mesmo que algumas vezes devemos fazer o que não gostamos. Achei a comicidade em “Cerný Petr” (título na República Tcheca) um pouco parecida com a de “Os Amores de Uma Loira”, segundo longa-metragem do Milos Forman, embora aqui beire um pouco uma engraçada insanidade, a cena do “Oi” é uma das melhores e mais hilárias do filme. Sinceramente, nem tem muita comparação entre ambos em qualidade, mesmo tendo bases semelhantes.




  Esqueça a denotação racista que o título leva a entender, pois o sentido é outro nesse bom trabalho. Ainda na época da Nouvelle Vague, movimento de bastante relevância ao Cinema, “Pedro, O Negro” mantém as graças de sua burlesquidade e suave, disfarçada crítica social. O final é curioso ao extremo, dá força a uma pergunta que estagnava a geração, deixando sem resposta até mesmo os mais atentos. A película granjeou o galardão de Melhor Filme no Festival Internacional de Locano (Suíça) em 1964 e o cineasta ganhou como Melhor Diretor Estrangeiro no Jussi Awards (Finlândia) em 1967. Um bom filme e merece ser conferido.

Resultado: Bom à Excelente!

4 de dez de 2011

Os Amores de Uma Loira (1965)

Título Original: Lásky jedné plavovlásky
Ano: 1965
País: República Tcheca
Diretor: Milos Forman
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Elenco:
Josef Sebánek (Pai da Milda)
Hana Brejchová (Andula)
Vladimír Pucholt (Milda)
Vladimír Mensík (Vacovský)
Ivan Kheil (Manas)
Milada Jezková (Mãe da Milda)
Josef Kolb (Pokorný)
Marie Salacová (Marie)
Jana Novaková (Jana)
Jarka Crkalová (Jaruska)
Tána Zalinková (Girl)
Zdena Lorencová (Zdena)
Jan Vostrcil (Colonel)
Jirí Hrubý (Burda)
Antonín Blazejovský (Tonda)


Opinião:

  Singelo, recreativo censor, agradável e desculpem pela expressão melosa frívola, muito gostoso de assistir. “Os Amores de Uma Loira” foi a obra que deixou conhecido no exterior o cineasta Milos Forman, autor do aclamado “Um Estranho no Ninho”, inclusive com esse seu aparente segundo longa-metragem, foi indicado a Oscar como Melhor Filme Estrangeiro em 1967. Os anteriores trabalhos do diretor são duvidosos, não pela qualidade, mas por serem desconhecidos, como "Lanterna magika II" e "Audition", bastante difíceis de serem encontrados em circulação, uma pena para quem aspira sondar a fundo o talento do Forman. Aliás, "Pedro, O Negro" é de 1964 e encontra-se disponível em Torrent.


  O bom de assistir fitas sem ler sinopse é que aumenta as chances de imprevisibilidade, passa a compreendê-las com alvura, avaliar como propriamente são, sem falsos julgamentos. Um filme que desde o começo e alguns minutos, nada promete, chegando a ser um tanto monótono e desencorajador, porventura pela música, que parecia ilustrar, talvez propositalmente, a candidez, fragilidade acolhedora e tédio da época. Entretanto, as coisas ganham rumo surpreendentemente agradável, cômico, crítico e envolvente, fazendo questão de tratar cada camada como complemento, que se desenvolve aos poucos, nos fazendo rir pela singeleza e familiaridade que cada uma delas apresenta, um sutil convite ao intercâmbio dos espectadores, cujo diálogo humorístico e inteligente nos mantêm descontraídos em todo o seu percurso. A premissa informal também serve como base para zombar, mesmo que levemente, o ritmo de vida das mulheres na República Tcheca, em Praga. Numa fase em que elas eram em quantidade enorme para cada homem e viviam aflitas pela busca do rapaz certo, como é bem patente, várias seguiam deprimidas por não terem sucesso no casamento. Alguns homens reconheciam essa situação e buscavam tirar proveito, principalmente das mais jovens e das mais carentes. Outro detalhe que me chamou a atenção foram as cenas de nudez, achei bastante expressivas para o tempo, inclusive nessas cenas criaram em mim um considerável desdém pela protagonista. Bom, assistam e vocês saberão.




  “Os Amores de Uma Loira” vale a pena ser visto por todas essas razões citadas. O final é lindo e com uma trilha que com certeza todos vocês já ouviram em algum lugar, representando muito bem o lúgubre do estado da mulher em função de um homem, tediosamente oxigenado.

Resultado: Excelente!

2 de dez de 2011

Sonho (2008)

Título Original: Bi-Mong
Ano: 2008
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Romance
Elenco:
Joe Odagiri (Jin)
Na-yeong Lee (Ran)
Mi-hie Jang (Doctor)
Kim Tae-Hyeon (Ran's ex-lover)
Ji-a Park (Jin's ex-lover)


Opinião:


  Um maravilhoso filme do início ao fim, a acuidade desse trabalho é bastante curiosa e agradável de acompanhar, entra-se em um céu nebuloso onírico que causa uma leve aflição em seu seguimento e também, conforto.


  Agora tentando explicar as raízes desses galanteios, “Sonho” é um tipo de filme interessante que ilustra a nossa ficção íntima, presente e em alguma dimensão, vero. Nos complementando no sentido de reconhecimento próximo em situações analógicas (até mesmo em condições de produção), sendo brevemente previsível e em tempo idêntico muito alheado dos clichês, aliás, termo esse que foi aplicado de maneira irresponsável, pois sua modelagem não é característica como a maioria. O previsível aqui (outra irresponsabilidade) não é sobre o desfecho em geral, no entanto, o antedizer ou imaginar caminhos de uma atmosfera sendo previamente criada, brincando com agrado à nossa perspectiva por tais convivências, a cadência é trabalhada com maestria por exibir o que foi citado, apresentar miudezas que aos poucos se tornam grandiosas, gerando vários níveis de glosas em possibilidades individuais. Mas todo esse amoroso passa a ficar cada vez mais sombrio, pungente; começa a penetrar em uma proporção nonsense e metafórica, nos deixando confusos entre crível e quimera, tudo isso sem frenesi pretensiosa, típica desses estilos de roteiros. “Bi-Mong” (no original coreano) é a artística junção de fantasia contemplativa e simplicidade, entretanto, ainda assim consegue confundir nosso entendimento em seu calmo desenrolar. A trilha sonora parece ser o próprio conceito ludibrioso dos sonhos, envolvente, hipnótica; nos prega curiosos até o seu término. Destaco o desempenho do ator Joe Odagiri fazendo a personagem Jin, não tenho certeza, mas li em alguns comentários que durante a fita ele falava japonês e o restante, coreano; não dá para estranhar porque tudo é feito com muita lidimidade e também acho o idioma coreano bem parecido com o do Japão, como não entendo o sotaque de nenhum dos dois, passei batido. Enfim, achei isso interessante. A atriz Ji-a Park também está ótima em um papel de delírio, mas não marca, talvez porque ela ficou muito no secundário e afigurava-se mais ao início de insanidade da Ran, feita pela Na-yeong Lee. Gostei igualmente da Ji-a em outros trabalhos do diretor, como “Fôlego” e mormente em “The Coast Guard”. Segundo as revelações, Na-yeong quase morre numa cena do final, o que deixou o autor muito deprimido, parece que isso é contado em “Arirang”.




  Quero relatar também que com “Sonho” termino de completar toda a filmografia de Kim Ki-duk (15 filmes), ele já lançou mais dois neste ano (Amen e Arirang), mas infelizmente ainda não está disponível para Download. Afirmo que foi uma experiência surreal e gratificante conhecer a obra dele. Todas as películas de Ki-duk abordam muito os sofrimentos humanos, extremistas, suicídos, as mulheres em situações desconcertantes, as metáforas e com beleza tocante. É um verdadeiro artista, especialista nos conflitos e compositor das cenas mais voluptuosas venéreas, não é nenhum Tinto Brass, mas também merece ser enfatizado nesse quesito. Ki-duk Kim é um de meus cinegrafistas joeirados e “Sonho” ocupa meu TOP 3 de sua filmografia.

Resultado: Excelente!


Assista ao Trailer:




29 de nov de 2011

Fôlego (2007)

Título Original: Soom
Ano: 2007
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Ji-a Park (Yeon)
Chen Chang (Jang Jin)
Jung-woo Ha (Husband)
Ki-duk Kim


Opinião:

  Apesar do enlevo e simplicidade, é compreensível quando alguém diz que esse filme parece não ter nexo, não ter aderência que dite significado ou talvez a atmosfera em cena seja tão extrema, tão rara, que dificilmente emocione por comungação, envolvendo a si próprio. E para sentir emoção é preciso entender, mesmo que seja inconsciente. Bom, me emocionei, mas tenho arrufo em expressar com palavras.

  Aliás, palavras parecem ter quase nenhum sentido aqui, a precisão das perspectivas, gestos, laconismos, já fala por si só e com muito mais esmero, mesmo deixando várias lacunas que a obra não faz a menor questão de explicar, seu entendimento está implícito e nós é que devemos desbravar. Tais lacunas referem-se a ausência de explicações sobre as origens e motivações das personagens, dando a entender que nós pegamos a trama já construída. Tudo isso só acrescenta em melhor ao filme, pois é sempre ótimo apreciar um trabalho distante dos protótipos. Exótico, uma obra que tem como plano de fundo o sentimento existêncial, mas parece ser tão desprovido disso porque falta familiaridade com o que é apresentado e a gente vai construindo aos poucos essa conexão. O ótimo de “Fôlego” é que o enredo parece ficar unido e flutuante em tempo idêntico, Yeon e Jang Jin demonstravam se conhecer há vários anos, todavia, a premissa mostra que eles nunca se viram (que é duvidoso). Yeon estava em crise e viveu uma extraordinária experiência na infância (que descreve o título da fita em seu tino literal e figurado), por alguma razão, perdeu o rumo e precisava reencontrar um sentido para sobreviver, durante um momento de “abrir de portas”, fez uma coligação emocional com o criminoso Jang Jin, cuja notícia passava em uma reportagem. Jang Jin, pelo visto, era bastante famoso pela malfeitoria cometida (tipo um Alexandre Nardoni aqui no Brasil) e o mistério de sua personalidade continua instigante até o final do filme. Agora o que fica perspícuo, de fato, é esse vazio existencial que ambos compartilhavam, usando um ao outro como último suspiro, último fôlego. Vazio esse que também é passado ao espectador pelos azos citados acima.




  A participação do diretor como personagem foi bastante emblemática e até, quem sabe, hierárquica. A figuração teve muito haver com a imagem de um cineasta, aquele que controla tudo, o chefão de seus desfechos. Enfim, um bom filme que ainda mantém a proposta simbólica de Kim Ki-duk. Ainda não recomendo com entusiasmo, talvez se rever, o fruto será mais gratificante para mim.

Resultado: Bom à Excelente!


Assista ao Trailer: 






27 de nov de 2011

The Coast Guard (2002)

Título Original: Hae Anseon
Ano: 2002
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Ação, Drama
Elenco:
Dong-Gun Jang (Kang Sang-byeong)
Ji-a Park (Mi-yeong )
Hye-jin Yu (Cheol-gu )
Jeong-hak Kim (Kim Sang-byeong)


Opinião:

  De uma quimera máscula, varonil, pela fátua e inocente ideia de honra influenciada pelos papos de exército, um soldado mais dedicado que os outros, camba em flagelo. A queda é irreversível.

  O filme mostra isso de uma maneira emocionante, com poucos talhos de culminância e trilha sonora belíssima, pela mesclagem de agrura, delgadeza, alvura e candidez. Sem esquecer do lado sórdido e violento. A fusão de tudo isso com a personagem principal e uma outra também afetada pela tragédia, é desoladora e capaz de ser envolvente por tratar de sentimentos comuns e bojos, que vão de um extremo à outro, como inocência e perca, amor e ódio, sonho e decadência. Deixando manifesto que o filme não se sente obrigado a tratar todos esses assuntos com abissalidade, mas contar uma história com força maior no sentimento de culpa, algo que a obra teve a sabedoria de causar um interessante embate entre o cumprimento do dever de um soldado, o cataclismo do povo local e a reflexão de todas essas consequências direcionadas à ele (o herói causador). A fita mostra ainda mais que não saber administrar esses assuntos, não ser diretor de si mesmo, tem negativações celsas para o ser humano, caso o mesmo caia em desgraça. 


  Não considerei os civis propriamente vítimas, pois abusam e subestimam demais a força militar dessa península, por essa razão eles são os genuínos culpados, entretanto, o filme consegue provocar este dilema de interrogar as autoridades coreanas, como manter a vigia noturna contra os espiões (que ostensivelmente nem mais existem) e assassinar apenas para ser condecorado e licenciado, mesmo sabendo que são civis que invadiram a área; a partir daí a gente consegue ver um lado pusilânime e corrupto por parte da ordenança, dando margem à críticas, um bom equilíbrio entre ambos os lados. Seguindo uma rota simples e passando aos poucos à uma vereda cada vez mais complicada, causando até suspeita de um delírio coletivo surgido pelo trauma do acontecimento; nem vou me aventurar a resenhar essa parte porque viajei um pouco ou o filme deixa isso em aberto pela sofisticação do roteiro e direção. Ótimos empenhos também do ator Dong-Gun Jang e atriz Ji-a Park, os principais do longa.



  Entendido como o mais fraco filme de Kim Ki-duk por alguns, classificação que, de fato, não compreendi e não concordo nem um pouco. Achei ótimo, envolvente e com um final muito sensível, adregando que dá para fazer belos dramas com histórias de exército, embora a beleza aqui seja nada esperançosa.

Resultado: Excelente!

Assista ao Trailer: 




24 de nov de 2011

Real Fiction (2000)

Título Original: Shilje sanghwang
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Thriller
Elenco:
Jin-mo Ju
Min-seok Son
Hyeong-seong Jang


Opinião:

  Decisão clara em mostrar um indivíduo jovem, lacônico, artista e com graves problemas sentimentais, que para o próprio são mais relevantes, influentes e dominadores que as opressões da sociedade, onde apanha sem reagir, sofre calado, parecendo criar inconscientemente uma carapaça emocional e se afundando cada vez mais nela, protegendo-se em sua arte; até que um dia tudo muda, devido a um momento catártico (beirando alucinógeno), pondo em prática o seu insano escarmento contra os que o humilharam. Sua condição letárgica chega ao fim, embora ainda traga muito mofo.

  O título “Real Fiction” tem sua construção logo no início, com patente baixo orçamento e falta de definição no modo em que a câmera é trabalhada, dando aquela impressão de “reality” ou de uma produção caseira, real. A locação na praça assemelha não ter sido previamente preparada ao filme, pessoas passam, param e olham curiosas, mormente para a personagem principal. Tem uma cena que um casal interrompe a tranquila caminhada e fica no centro da filmagem até que um assistente (ou o próprio diretor, porque não dava para saber, teve todo o cuidado de não exibir o rosto) dos bastidores resolve afastar educadamente os “pombinhos”. Todos esses detalhes notórios só reforçam ainda mais a sensação de improviso, amador e real; pode ser que todo o povo na praça seja parte da produção, mas é nítido esse proposital. Desnecessário dizer que a ficção aqui é a fita em debate, porém, o filme se utiliza de outro elemento para destacar essa ideia, um recurso de “reality show”, um mero ser com caractéristicas de um derrotado sendo em algumas situações, filmado secundariamente, tratando a vida dele como um jogo, tese para estudo, uma ficção funesta ou metáfora de sua reflexão e delírio. O final dita ainda mais essa afirmação, resultado bem curioso e estranho, podendo não agradar a todos, todavia, é de uma abalroada recreativa que eleva ainda mais o sentido, apreciei muito a proposta.


  Falando em agrado, alguns papéis de Kim Ki-duk demonstram não ter psicologia de causa e efeito ou possui alguma pouco investigada, não é o caso de “Real Fiction”, pois a vingança, inclinação corriqueira, tem sua causa estudada por meios ambíguos, até um ponto em seu desenrolar que a gente já não sabe o que é verídico e patranha, mesclando com a simplicidade desse bom filme, entretanto, de difícil agrado. Porventura, o que pesa negativamente nessa obra é o talho da culminância, mesmo rendendo uma leve expectativa da vendeta, o que é apresentado antes dela talvez canse alguns.


  Resultado: Bom.


Torrent: http://www.kat.ph/real-fiction-2000-fs-dvdrip-divx-repivx-t149247.html
Legenda (do Legendas.TV, é preciso está logado): http://legendas.tv/info.php?d=aaa0b380ab52c478edad6d786185b8d9

22 de nov de 2011

A Ilha (2000)

Título Original: Seom
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Romance, Thriller
Elenco:
Seo Jung (Hee-Jin)
Yu-seok Kim (Hyun-Shik)
Sung-hee Park (Eun-A)
Jo Jae Hyeon (Mang-Chee)
Hang-Seon Jang (Homem de meia idade)
Kim Yeo Jin
Won Seo

Opinião:

  A estória parece ser contada pelos ares do lugar exótico e claustrofóbico onde tudo é sereno, instintivo. Os traumas das personagens principais compõem ritmo ao filme, encontrando-se e complementando-se, gerando conforto mútuo, só que mais tarde, todo esse início harmônico é rompido, tendência dos complexos amorosos. Uma dolorosa história de amor que vai além de isolamentos, de quebras e consertos, de idas e retornos; uma exibição do ser humano em circunstâncias extremistas.

  Aliás, “história de amor” é só um clichê de argumentação, porque em nenhum momento a película assume isso, ambos mantêm contato para suas saciações carnais e como itinerário para libertar “a ilha” dentro de si. Embora em algumas situações a mulher revele paixão por um homem que lhe sensibilizou, viu nele a cura para sua moléstia, seu aval e descanso. Ela é a genuína ilha que se calou para o mundo por alguma razão não explicada na fita, cujo entendo como ponto forte do filme, nos possibilitando uma série de conclusões em todo esse clima estranho, metafórico,quintessencial, violento. Ela vislumbrava nele toda sua companhia “íntima-familiar” e estava disposta a tudo para mantê-lo ao seu lado, a carência e o ciúme transparecendo em formas mortalmente terríficas, utilizando-se de chantagens até mesmo autodestrutivas.


  No elenco me chamou atenção o ator Jo Jae Hyeon, o mesmo de “Crocodilo”, “Wild Animals” e “Bad Guy”, um ótimo ator que infelizmente teve uma participação muito curta. “O Bordel do Lago”, outro título nacional desse mesmo filme, também é conhecido pela sua violência crua com os animais, que mesmo sendo normalmente comestíveis, em Cinema ganha uma proporção mais cruel e polêmica.

  Resultado: Bom.

Wild Animals (1997)

Título Original: Yasaeng dongmul
Ano: 1997
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Cheong-hae)
Sasha Rucavina (Corrine)
Richard Bohringer (Boss)
Denis Lavant (Emil)

Opinião:
  Assim como “Crocodilo”, “Animais Selvagens” é outro digno do título, pois a agressividade é elemento presente em quase todas as cenas, até lances de sexo em que o autor sempre faz questão de exibir.

  Nota-se que nesses filmes antigos do Ki-duk, faziam bastante uso da violência (mormente com as mulheres) sem uma aparente preocupação em estudá-la, dando aquela impressão de apenas apresentar fatos (ferinos), um atrás do outro, numa sucessão dinâmica de acontecimentos, ganhando muita ação, mas perdendo em conteúdo. Tudo isso cria uma barreira dimensional nos impedindo o envolvimento íntegro com as personagens, em situações insólitas, no entanto, se pensar bem, são altamente identificáveis. Isso mesmo, Kim Ki-duk consegue formular atmosferas esdrúxulas que mesmo assim nos identificamos. São filmes frios, secos e com uma lancinância (quem sabe até gratuita) veemente, no entanto, quando chegam a um clímax, conseguem emocionar estranhamente, em momentos tocantes, sem usar pieguices, mesmo que essas situações não fiquem convincentes, passando despercebidas. “Wild Animals” segue um caminho parecido com esse, um filme violento, entretanto, soa superficial por não haver uma análise mais profunda dessa pungência ou do ser humano em condições precárias, ficando tudo meio raso.


  Se o diretor tivesse a mesma habilidade que tem hoje em dia, “Wild Animals” e alguns de seus outros antigos trabalhos estariam em um nível muito mais respeitoso. Ainda continuo com a proposta de refilmagem pelo próprio autor, corrigindo falhas, principalmente técnicas.

Resultado: Regular à Bom.

Torrent: http://isohunt.com/torrent_details/49611392/?tab=summary
Legenda: http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3159595/yasaeng-dongmul-bohoguyeog-pb

20 de nov de 2011

A Garota da Capa Vermelha (2011)

Título Original: Red Riding Hood
Ano: 2011
País: EUA
Diretora: Catherine Hardwicke
Gênero: Suspense
Elenco: Amanda Seyfried, Shiloh Fernandez, Max Irons, Gary Oldman.

Opinião:

  Com certeza existem situações que podem se tornar muito incômodas e isso já foi provado pelas inúmeras avaliações odiosas, por motivos de aparente e substancial desproporção, momentos que, de vista, não condizem com a proposta esperada.

  Mas a pergunta é: Queriam um “Live Action” da Chapeuzinho Vermelho? Sim e Não! Que o filme mantivesse o tema clássico e fosse mais pesado (e foi), talvez o que mais prejudicaram o sucesso do longa foram as cenas românticas temperadas com erotismo, que simplesmente não têm conexão com a faixa etária envolvida com o conto original, de fato, revoltou muita gente e pegou mal para o filme, e pior para a diretora, mesma de “Crepúsculo”, que por informação, é bem massacrado.


  Enfim, não vou entrar em detalhes porque não estou com a cabeça boa hoje, mas adianto que não gostei e nem odiei “Red Riding Hood”, não me animou e nem me entediou (aliás, só um pouco). Fiquei “supremamente” NEUTRO. Que proeza, né?

  Resultado: Regular à Bom.

19 de nov de 2011

Um Olhar do Paraíso (2009)

Título Original: The Lovely Bones
País: EUA
Ano: 2009
Diretor: Peter Jackson
Gênero: Drama, Fantasia
Elenco:
Stanley Tucci (George Harvey)
Saoirse Ronan (Susie Salmon)
Mark Wahlberg (Jack Salmon)
Rachel Weisz (Abigail Salmon)
Susan Sarandon (Grandma Lynn)


Opinião:

  Belíssimo!

  Uma odisséia deslumbrante em um mundo de maravilhas, que nos leva à reflexões etéreas, nos projetando à uma outra compreensão e o resultado é um sentimento profundo de paz. O oxigênio do filme é muito agradável de respirar, a edição competente e entretida nos permite uma contemplação sem esforços, uma obra que já nos entrega tudo de maneira esperta, basta a gente se acomodar e sentir todo o encantamento que nos apresenta. Outra sacada interessante é o poder de nos causar tensão, o suspense nos atinge mesmo sabendo de tudo que vai acontecer. A cena que a Susie narra momentos antes de sua morte constrói camada por camada, nos permitindo admirar cada detalhe. Coisa também chamativa no longa, é tratar a morte como algo despercebido, a pessoa não sabe ou aceita que morreu, lógico, a argumentação considera a possibilidade de existir vida após a falência.


  Stanley Tucci em uma performance BRILHANTE, até mais que os hipnóticos olhos da Saoirse Ronan. Muito merecida a indicação ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante, uma atuação sem muitas palavras, deixando apenas os gestos e olhares ganharem atmosfera, acreditem: DIVERTE MUITO! Apesar de tudo, “Um Olhar do Paraíso” recebeu algumas críticas pesadas, canalizadas mais na direção do Peter Jackson (Trilogia: O Senhor dos Anéis), dizendo que ficou artificial, clichê, abusando de belas imagens apenas para emocionar e sem respeitar o conteúdo, estropícios que não vi gravidade nessa linda película. Tiveram sim alguns momentos para se observar com um pé atrás, como o corte do clima sereno para introduzir, desnecessariamente, faixas de humor com músicas inconvenientes, que não condizem muito com a proposta. SPOILER: Acrescentando também o fato de inúmeros e espalhados filmes de fotografias da Susie, “coincidentemente” o último filme que resta é o que “revelará” (sem cabimento) o assassino da menina, ficou algo meio forçado, mas tudo bem.

  Enfim, um excelente filme que proporciona emoção, SHOW de imagens, tensão e humor negro em perfeita representação pelo Stanley Tucci, só por esse ator já vale uma conferida.

Resultado: Bom à Excelente!

17 de nov de 2011

O Menino do Pijama Listrado (2008)

Título Original: The Boy in the Striped Pyjamas
Ano: 2008
País: Reino Unido
Diretor: Mark Herman
Gênero: Drama
Elenco:  
Asa Butterfield (Bruno)
Jack Scanlon (Schmuel)
Béla Fesztbaum (Schultz)
Iván Verebély (Meinberg)
Sheila Hancock (Grandma)
Richard Johnson (I) (Grandpa)
David Thewlis (Father)
Cara Horgan (Maria)
Zsuzsa Holl (Berlin Cook)
Amber Beattie (Gretel)
László Áron (Lars)
Vera Farmiga (Mother)
Henry Kingsmill (Karl)
Domonkos Németh (Martin)
Zac Mattoon O’Brien (Leon)
Attila Egyed (Heinz)

Opinião:

  Considero como erro encarar algum filme desta forma, mas revelo que esperava muito mais da produção. O poster é lindo e leva a crer sobre algo mais "sério" e elucubrativo. Dá até para si sentir um pouco vidente, porque o nível de clichê ou previsibilidade torna-o um tanto “bobo”. Entretanto, isso é só um achismo, pois o trabalho tem coerência com aquela velha proposta circular: Um filme para a família. Um filme para todos. Nada mau, oras.

  “O Menino do Pijama Listrado” procura seguir a perspectiva pueril da infância, acompanhando tudo com seus olhares curiosos e imaginação florescente numa das épocas mais maldosas da humanidade. A frase de John Betjeman, no início: “A infância é medida por sons, aromas e visões, antes do tempo obscuro da razão se expanda.” Deixa limpo que mostrará o encantamento fértil e que depois o pessimismo assumiria lugar, ganhando ares de reflexão, como resultado de tanto cataclismo visto (não é bem o que ocorre). A trilha sonora do James Horner (ótimo em Braveheart) torna-se repetitiva, como fórmula de manter o clima “emocionante” (sem necessidade), além de não ter, francamente, respeitável composição (perdões, James).


  SPOILER: O final é trágico, porém, o garoto que decide “brincar” de explorador em um campo de concentração talvez tenha ficado um tanto incabível, todavia, a película justifica como forma do Bruno se sentir menos culpado, ajudando seu amigo nessa jornada, mesmo que a presença dele não faça diferença se encontrará ou não o pai do Schmuel. Porventura, a melhor cena é a catástrofe. Por ser um filme trivial, a gente fica duvidando se o menino morre, achando que vai acontecer uma solução normalmente heróica desses filmes clichês, mas não, até que surpreende, mata mesmo (Risos!).

  Segundo a intenção de fazer uma obra para a família, até para que os meninos entendam e pensem; realmente, olhando por esse lado, o filme é muito bom e “deprê” para as crianças, deixarão elas muito tristes, fará bem para que reflitam desde cedo que o preconceito só destrói vidas. O filme é bonzinho, mas os fãs que me perdoem, não me emocionou e nem pretendo revê-lo. Já passei dessa fase.

Resultado: Regular.

Torrent: http://www.kat.ph/the-boy-in-the-striped-pyjamas-2008-dvdrip-axxo-t1957715.html

15 de nov de 2011

Inverno da Alma (2010)

Título Original: Winter’s Bone
Ano: 2010
País: EUA
Diretora: Debra Granik
Gênero: Drama, Suspense
Elenco: Jennifer Lawrence, Isaiah Stone, Ashlee Thompson, Valerie Richards

Opinião:

  O título leva a crer sobre algo mais espirituoso e existencial, inserindo-se no clima de mistério quimera e alimentando isso. “Inverno da Alma” trata-se de um filme quase perfeito, aliás, esse “quase” é só uma precaução, pois é difícil encontrar furos nele. Segue um caminho seguro e bem calculado, parece que nada fica fora do lugar, mesclando drama e suspense com maestria e simplicidade, sem aquelas coisas exageradas norte-americanas.

  A película é humilde e procura contar uma história sem usar adereços. Esteve no círculo comercial (grande público) sem ter características da raça. É seco, duro e gélido, cujos são estereotipados como arrastado, parado ou chato, tudo por julgarem rápido demais, sem fazerem um respeitável esforço para compreender e sentir a missiva da obra, sua tocante grandeza. “Winter’s Bone” consegue o feito curioso de ser borbulhado de sentimentos e mesmo assim parecer tão sem alma, como se a emoção fosse passada em gradações e cada uma delas fosse congelada segundos depois, porém, não usa sempre o mesmo recurso, lógico. O silêncio interiorano parece seguir as frias correntes de ar, a gente sente o filme “respirar” com serenidade (é estranho isso), completando com o diálogo visual que é igualmente expressivo, com imagens que parecem “descascar escamas”, de forma que elas traduzam o que é mais relevante e familiar.



  Vencedor do Prêmio do Júri em 2010, no Festival de Sundance e indicado ao Oscar em 4 categorias, “Inverno da Alma” é um grande exemplar, não só pelas suas premiações, entretanto, pela aula de Cinema que esse filme também propõe.



Resultado: Ótimo!

12 de nov de 2011

Crocodilo (1996)

Título Original: Ag-o
Ano: 1996
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Crocodilo)
Ahn Jae-hong
Mu-song Jeon
Opinião:

  Sabia que os crocodilos também podem ser gentis? Crocodilo é um bicho da família “crocodylidae”, habita nas terras de rio quase opaco na Ásia, África, América do Sul e Norte. Irreverente, temperamento feroz e lancinante. A semelhança do original e do bicho-homem é notória, vivendo à espreita e em situações críticas, como um predador que vai à caça, vai em busca daquilo que lhe é útil, fera egoísta. Se o autor do filme é um escárnio crítico da condição feminina na Coreia do Sul, aqui ele deixa claro que a presa do homem é a mulher, cujo sente prazer em devorá-la pungentemente e quando a mesma se entrega, se conforma, ele parece perder o interesse; a resistência é um afrodisíaco.

  Aos poucos o filme chega a um clímax leve de emoção (embora não afirme esse intento). Crocodilo-Homem muda, passa a se harmonizar com seus parceiros, reconhece que é tudo que tem. Enfim, o amor parece ter assaltado o coração desse marginal, algo que nunca sentiu antes, tornando o crocodilo manso, sendo gentil pela primeira vez (?); mas infelizmente as coisas andam belicosas, bem no momento mais importante de sua vida. O final é apnético! 


  Pelo visível baixo orçamento, a parte técnica da película não agrada, tornando o filme exaustívo de acompanhar. Entretanto, com as impressões já citadas, Kim Ki-duk começa bem com sua carreira de realizador. Seria nada mau se o autor fizesse uma refilmagem de seu trabalho inicial, com os mesmos atores (menos o menino, né? ^_^) e suas qualidades atuais de Diretor, porque a ideia do filme é ótima! Tente imaginar o contemporâneo Kim com o enredo de “Crocodilo”. Não seria arrasador?

SPOILER

Crocodilo diz: "Esses barquinhos só me fazem lembrar de quão minha vida é miserável!" Eram porque faziam lembrar a infância dele ou representavam um sonho que nunca era realizado? Curioso a cena que ele pega uma tartaruga e pinta o casco de azul, olha para o garoto e joga no rio, como se fosse um barquinho em direção ao mar, um sonho lançado. O triste é que no fim a tartaruga continua no mesmo lugar.


Resultado: De Regular à Bom.


Torrent: http://www.kat.ph/crocodile-a-go-1996-kim-ki-duk-t488620.html





10 de nov de 2011

Birdcage Inn (1998)

Título Original: Paran Daemun
Ano: 1998
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Ji-Eun Lim (Jin-a)
Hae-eun-Lee (Hye-mi)
Jae-mo Ahn (Hyun-woo)
Hyeong-qi Jeong (Gecko)
Min-seok Son (Jin-ho)


Opinião:

  Beleza extravagante, violência, sentimentos comuns e especiais. Mesmo com suas diferenças notáveis, ambas as personagens lembram aquelas pinturas abstratas e impressionistas, contrastando com os traços bem definidos e atiçando os instintos (talvez ou com certeza até libidinosos).


  Agressão que submete e discrimina, aborda sempre a mulher em condições terríveis, conversa coloquialmente com os preconceitos. Podemos nos incomodar, mas expõe o asco de conviver, porventura, com uma pessoa que vende o corpo, como se exalasse sujeira ou moléstia por toda parte. Em “Birdcage Inn” isso é tocantemente oposto, pois tal ser vivo é de uma delicadeza, humildade inspiradora; sem contar com sua aura artística, ilustrada com talento pelo lápis, infelizmente desdenhada por todos.


  É marcante a apologia ao amor que nasce de um longo conflito, de uma comprida série de intrigas, como se fossem testes que se provam o crível. Duas figuras distintas, mas próximas em alguns pontos familiares. Uma se conserva virgem, pura, limpa (enfatiza-se o valor da virgindade feminina), enquanto aparenta ser mais mórbida que a meretriz, cuja intimidade está em constante invasão. Entretanto, as duas tem surtos de suas características contrárias, a amarga em alguns momentos consegue ser tão doce e vice-versa. A harmonia é finalmente conquistada em seu decorrer, gerando alguns detalhes curiosos, principalmente o final, deixando uma interpretação a mais para os perversos.


  Um belo filme de uma grande amizade em seu pleno nascimento.

Resultado: De Bom à Excelente!

Torrent e Legenda: http://aprivadacult.blogspot.com/2011/03/paran-daemun-aka-birdcage-inn.html?zx=ada800c00d78dcb2

6 de nov de 2011

Samaritana (2004)

                                                                      
Título Original: Samaria
Ano: 2004
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Yeo-reum Han (Jae-yeong (como Min-jeong Seo))
Oh Young (Músico)
Kwon Hyun-Min (Marinheiro)
Eol Lee (Yeong-ki)
Kwak Ji Min (Yeo-jin)

Opinião:
  Entre causa, efeito e reflexão, “Samaritana” mostra com excelência que a disciplina, compreensão e silêncio são os melhores ingredientes para modelar o espírito de uma pessoa, tendo consequências produtivas no comportamento. Não adianta dá murro em ponta de faca! Gritos ou semelhantes só ferem os ramos, a raiz estar em um ponto mais inacessível.


  “Vasumitra”, de um desejo que leva a entrega gratuita do corpo; “Samaria” (título), da redenção que vai ao refletir sobre as ações e finalmente “Sonata”, o som melodioso e lúgubre, renova a alma, drena as impurezas e mostra um novo caminho a seguir. A fase sonhadora dos adolescentes, esse instinto aventureiro que não mede atitudes para conseguir o que designa, que transparece força e fragilidade em tempo idêntico, é sórdida e pueril. O pai viúvo vendo sua única filha nas peripécias do caótico mundo é como se o próprio acabasse sobre ele, e o que mais marca é seu aval sólido diante dessa tempestade. Ele a ensina com mensagens silentes que arrepiam a pele, parece que a todo momento vai explodir, mas surpreende pelo seu exemplar amor, privando-a de um sofrimento maior. O filme aborda um conteúdo muito tocante e de soberba importância. 


  Por essas e outras razões, o cineasta sul-coreano acerta mais uma vez nessa grande obra. O final é de uma frieza terrível e pode desagradar muita gente, pois fica aquele “gostinho” de quero mais. Bastante recomendado para os pais, mormente aqueles que tiveram problemas com seus filhos.


Resultado: Excelente!


Torrent: http://www.kat.ph/samaria-2004-dvdrip-divx-ac3-mong-t150556.html#
Legenda: http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3095728/samaria-pb

5 de nov de 2011

Bad Guy (2001)

Título Original: Nabbeun namja 
Ano: 2001
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Han-ki)
Won Seo (Sun-hwa)
Kim Yun-Tae (Yun-tae)
Deok-Mun Choi (Myeong-su)
Choi Yoon Young (Hyun-ja)
Yoo-Jin Shin (Min-jung)
Jung-young Kim (I) (Eun-hye)
Nam Goong Min (Hyun-su)

Opinião:

Poderosíssimo!

A obra não deixa seu sentido claro ou parece não fazer questão disso, gerando algumas margens de interpretações que possam fugir de sua real intenção. Uma das principais forças que conduz o longa está em seu início incomum e inesquecível, que dita toda a motivação do desfecho, ajudando a concluir uma cadeia de acontecimentos históricos marcados por algumas características, tudo com muita imundície. Mas acreditem, emociona.

Através de um homem com olhar maníaco e penetrante, uma inocente vida muda de um extremo ao outro. Com sua obsessão, ele assiste sua “cria” se transformar gradualmente, a pureza de uma vida se corromper até a última gota, sem o próprio usar táticas ferinas ou gritos, apenas sua “presa” cai em uma armadilha eterna de prisão, uma sádica lavagem cerebral.


Personagem esse que mantém seu mistério, nos deixando perplexos com seu singular comportamento, beirando de uma brutalidade aterradora à um ingênuo carente, suportanto dores do corpo e da alma, uma das personagens que mais vi levar porrada e sem reclamar. Talvez porque o seu estranho amor lhe fazia sentir-se culpado. De fato, um “bad guy”, um “tipo ruim”. Filme para ser revisto.

Resultado: Excelente!

3 de nov de 2011

Endereço Desconhecido (2001)

Título Original: Suchwiin bulmyeong
Ano: 2001
País: Coréia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Dong-kun Yang
Min-jung Ban
Young-min Kim

Opinião:

 “Endereço Desconhecido” é um filme triste que mostra severamente a vida de pessoas apáticas que se entregaram ao sofrimento. Mesmo com algumas atitudes que buscam provar o contrário, elas mesmas não são persuasivas. Um clima frio e aspecto quase incolor, junto a acontecimentos trágicos, perversos, de indivíduos desalmados e sem esperanças, cujo valores nesses humanos têm inversões curiosas, com um fundo musical que traduz enfaticamente o ar melancólico dessa violenta história sem rumo, fazendo uma ligação com o título.

  A crítica ao comportamento do povo local e dos estrangeiros fica bem clara, desses modernos que realizam uma boa ação em troca do benefício próprio, de bens que não podem ser comprados, como amor e respeito. Critica o frágil com capa de bondade como o pior veneno da vida, como a lei da sobrevivência afirma. Ótimas presenças dos atores Yang Dong-kun (Oyama – O Lutador Lendário) e Young-min Kim (Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera), ambos estão marcantes.


  Kim Ki-duk parece conter as assimetrias maravilhosas de seu vanguardismo, não está tão ousado ou estranho como em seus outros trabalhos, aqui ele realiza um bom filme padrão ou normal. Quem conhece “Primavera, Verão...”, “Casa Vazia”, “Time” e principalmente “O Arco”, esperava ver mais uma de suas loucuras, de seus misticismos belos, intrigantes e nada convencionais. Em “Endereço Desconhecido” não existe aquela disformidade, anomalia própria de seu Cinema, gerando um encantamento sem explicações. Aqui ele não tem intenção disso, apenas a realidade nua, crua e visceralmente dolorosa.

  Aliás, existem sim algumas cenas com aquela missiva visual, típica de pinturas abstratas, dando para identificar o diretor nelas; porém, não tem aquela magia bizarra de alguns de seus outros trabalhos. Parece que esse filme é baseado em fatos reais, se for isso, então está certo mesmo em não usar muito de seu Universo.

Resultado: De Bom à Excelente!

31 de out de 2011

Eu Vi o Diabo (2010)

Título Original: Akmareul Boatda
Ano: 2010
País: Coréia do Sul
Diretor: Jee-woon Kim
Gênero: Drama, Policial, Suspense, Thriller
Elenco:
Min-sik Choi (Kyung-Chul)
Oh San-ha (Joo-yeon)
In-seo Kim (Se-Jung)
Kim Yoon-seo (Se-yeon)
Gook-Hwan Jeon (Squad Chief Jang)
Byung Hun Lee (Kim Soo-hyeon)
Choi Moo-Sung (Tae-Joo)
Cheon Ho Jin (Section Chief Oh )

Opinião:

  A excelência do filme é justamente pela sua hiper-violência, ótimas atuações e bom enredo, embora simples. A forma como é dirigido prende a atenção do início ao fim, sem contar com uma apresentação metafórica no começo, desenhando uma caricatura digna do título.

  A matança sem moralismos, desregrada, é assustadora e mefistofélica. Os últimos suspiros, os detalhes do crime sendo mostrados, a desrespeitosa exploração do corpo humano, o paradoxo entre o externo e interno do físico, do semblante; o que antes era limpo, conservado e belo, agora esquartejado na imundície e jogado no lixo como porcaria. Tudo isso e mais explicam a força marcante e pungente que tem essa película.

  Choi Min-sik, o eterno Oh Dae-su do clássico “Oldboy”, só que mais experiente; demonstra talento enorme para papéis do tipo. Olhar concentrado, paranóico, velocidade nos movimentos, expressão "monstra" e pavorosa, gritos estridentes e um realismo no sofrimento, causam sensações chocantes. Já o Byung Hun Lee, que também trabalhou com Park Chan-wook em “Zona de Risco”, não deixa a desejar; sua aparência de galã entra em contraste com a dolorosa vingança da sua personagem, sua cólera reluz nos olhos, tornando impossível não ficar convincente. 

  O enredo é excelente porque é capaz de ter uma agressão apelativa sem perder rumo e simples por tratar um sentimento comum, a vingança e suas consequências, sem rodeios, indo direto ao ponto, bastando apenas sentar e apreciar o grande espetáculo. Apesar de tudo, “I Saw the Devil” não tem aquele ar “Cult” como a maioria dos filmes sul-coreanos, ele consegue ser acessível ao grande público, agradando a todos. Um ótimo e comercial filme.

Resultado: Excelente! 

30 de out de 2011

Barking Dogs Never Bite (2000)

Título Original: Flandersui gae
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Bong Joon-ho
Gênero: Comédia
Elenco:
Sung-jae Lee (Ko Yun-Ju)
Bae Doo-Na (Park Hyun-Nam)
Byeon Hie-Bong (Apt. Maintenance Guy)
Roe-ha Kim (Shadow Man)
Kwon Hyeok-PungKo Su-Hee (Hyeon-Nam's friend)
Kim Jin-Goo (Grandmother with Chihuahua)
Kim Ho-Jung (Eun-Sil)

Opinião: 

“Flandersui gae” é um exemplo digno de filme com a obrigação de mostrar como as cenas foram feitas, exibir de forma nítida os bastidores, dando alívio por revelar os “cuidados” com os animais, pois o humor dessa produção não é para qualquer um, principalmente pela sua ideia repulsiva para nós ocidentais.
 Mesmo com a frase de início, servindo de efeito para nos preparar ao porvir, não tem força convincente, mas segura um pouco a barra. Singularidade é o que move a arte, mas também tem seu “limite”; caso oposto, os mais doentes obsessivos vão sair por aí fazendo atrocidades em prol do visceral, real ou único.

Fora essas críticas em proteção ao bem-estar animal, cujo filme pode servir e com certeza serve como crítica a essas atitudes, não no Cinema, mas na Vida, conquista o seu espaço. Humor negro, comicidade estranha, mefistofélica, ferino com um felino, que para alguns se compara ao prazer de ver um gato caçando um rato (venceu em Hong Kong, OK?). Uma obra que pode ser vista também como a apatia no cotidiano das pessoas é burlesca, perigosa e triste; sobre como a motivação que é compartilhada pela amada, muda a opinião de outrem, o que foi previamente odiado, hoje tolerado; essa foi uma das mensagens mais marcantes. 


Mais um bom e diferencial filme sul-coreano, dirigido por Bong Joon-ho, prestigiado por “Mother – A Busca Pela Verdade”, “Memórias de um Assassino” e “O Hospedeiro”; inclusive esse “The Host” venceu bilheterias, mas deixa a desejar em qualidade. 
SPOILER: Excelente e engraçada aquela cena que a Park Hyun-Nam decide salvar o cachorro do mendigo, ficou algo meio Jiraya quando ela amarra o capuz e ainda mais com o povão torcendo, preenchendo a imaginação heróica e sonhadora que tem essa personagem. Só ela gera grandes risos.

Resultado: Bom à Excelente!