29 de nov de 2011

Fôlego (2007)

Título Original: Soom
Ano: 2007
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Ji-a Park (Yeon)
Chen Chang (Jang Jin)
Jung-woo Ha (Husband)
Ki-duk Kim


Opinião:

  Apesar do enlevo e simplicidade, é compreensível quando alguém diz que esse filme parece não ter nexo, não ter aderência que dite significado ou talvez a atmosfera em cena seja tão extrema, tão rara, que dificilmente emocione por comungação, envolvendo a si próprio. E para sentir emoção é preciso entender, mesmo que seja inconsciente. Bom, me emocionei, mas tenho arrufo em expressar com palavras.

  Aliás, palavras parecem ter quase nenhum sentido aqui, a precisão das perspectivas, gestos, laconismos, já fala por si só e com muito mais esmero, mesmo deixando várias lacunas que a obra não faz a menor questão de explicar, seu entendimento está implícito e nós é que devemos desbravar. Tais lacunas referem-se a ausência de explicações sobre as origens e motivações das personagens, dando a entender que nós pegamos a trama já construída. Tudo isso só acrescenta em melhor ao filme, pois é sempre ótimo apreciar um trabalho distante dos protótipos. Exótico, uma obra que tem como plano de fundo o sentimento existêncial, mas parece ser tão desprovido disso porque falta familiaridade com o que é apresentado e a gente vai construindo aos poucos essa conexão. O ótimo de “Fôlego” é que o enredo parece ficar unido e flutuante em tempo idêntico, Yeon e Jang Jin demonstravam se conhecer há vários anos, todavia, a premissa mostra que eles nunca se viram (que é duvidoso). Yeon estava em crise e viveu uma extraordinária experiência na infância (que descreve o título da fita em seu tino literal e figurado), por alguma razão, perdeu o rumo e precisava reencontrar um sentido para sobreviver, durante um momento de “abrir de portas”, fez uma coligação emocional com o criminoso Jang Jin, cuja notícia passava em uma reportagem. Jang Jin, pelo visto, era bastante famoso pela malfeitoria cometida (tipo um Alexandre Nardoni aqui no Brasil) e o mistério de sua personalidade continua instigante até o final do filme. Agora o que fica perspícuo, de fato, é esse vazio existencial que ambos compartilhavam, usando um ao outro como último suspiro, último fôlego. Vazio esse que também é passado ao espectador pelos azos citados acima.




  A participação do diretor como personagem foi bastante emblemática e até, quem sabe, hierárquica. A figuração teve muito haver com a imagem de um cineasta, aquele que controla tudo, o chefão de seus desfechos. Enfim, um bom filme que ainda mantém a proposta simbólica de Kim Ki-duk. Ainda não recomendo com entusiasmo, talvez se rever, o fruto será mais gratificante para mim.

Resultado: Bom à Excelente!


Assista ao Trailer: 






27 de nov de 2011

The Coast Guard (2002)

Título Original: Hae Anseon
Ano: 2002
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Ação, Drama
Elenco:
Dong-Gun Jang (Kang Sang-byeong)
Ji-a Park (Mi-yeong )
Hye-jin Yu (Cheol-gu )
Jeong-hak Kim (Kim Sang-byeong)


Opinião:

  De uma quimera máscula, varonil, pela fátua e inocente ideia de honra influenciada pelos papos de exército, um soldado mais dedicado que os outros, camba em flagelo. A queda é irreversível.

  O filme mostra isso de uma maneira emocionante, com poucos talhos de culminância e trilha sonora belíssima, pela mesclagem de agrura, delgadeza, alvura e candidez. Sem esquecer do lado sórdido e violento. A fusão de tudo isso com a personagem principal e uma outra também afetada pela tragédia, é desoladora e capaz de ser envolvente por tratar de sentimentos comuns e bojos, que vão de um extremo à outro, como inocência e perca, amor e ódio, sonho e decadência. Deixando manifesto que o filme não se sente obrigado a tratar todos esses assuntos com abissalidade, mas contar uma história com força maior no sentimento de culpa, algo que a obra teve a sabedoria de causar um interessante embate entre o cumprimento do dever de um soldado, o cataclismo do povo local e a reflexão de todas essas consequências direcionadas à ele (o herói causador). A fita mostra ainda mais que não saber administrar esses assuntos, não ser diretor de si mesmo, tem negativações celsas para o ser humano, caso o mesmo caia em desgraça. 


  Não considerei os civis propriamente vítimas, pois abusam e subestimam demais a força militar dessa península, por essa razão eles são os genuínos culpados, entretanto, o filme consegue provocar este dilema de interrogar as autoridades coreanas, como manter a vigia noturna contra os espiões (que ostensivelmente nem mais existem) e assassinar apenas para ser condecorado e licenciado, mesmo sabendo que são civis que invadiram a área; a partir daí a gente consegue ver um lado pusilânime e corrupto por parte da ordenança, dando margem à críticas, um bom equilíbrio entre ambos os lados. Seguindo uma rota simples e passando aos poucos à uma vereda cada vez mais complicada, causando até suspeita de um delírio coletivo surgido pelo trauma do acontecimento; nem vou me aventurar a resenhar essa parte porque viajei um pouco ou o filme deixa isso em aberto pela sofisticação do roteiro e direção. Ótimos empenhos também do ator Dong-Gun Jang e atriz Ji-a Park, os principais do longa.



  Entendido como o mais fraco filme de Kim Ki-duk por alguns, classificação que, de fato, não compreendi e não concordo nem um pouco. Achei ótimo, envolvente e com um final muito sensível, adregando que dá para fazer belos dramas com histórias de exército, embora a beleza aqui seja nada esperançosa.

Resultado: Excelente!

Assista ao Trailer: 




24 de nov de 2011

Real Fiction (2000)

Título Original: Shilje sanghwang
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Thriller
Elenco:
Jin-mo Ju
Min-seok Son
Hyeong-seong Jang


Opinião:

  Decisão clara em mostrar um indivíduo jovem, lacônico, artista e com graves problemas sentimentais, que para o próprio são mais relevantes, influentes e dominadores que as opressões da sociedade, onde apanha sem reagir, sofre calado, parecendo criar inconscientemente uma carapaça emocional e se afundando cada vez mais nela, protegendo-se em sua arte; até que um dia tudo muda, devido a um momento catártico (beirando alucinógeno), pondo em prática o seu insano escarmento contra os que o humilharam. Sua condição letárgica chega ao fim, embora ainda traga muito mofo.

  O título “Real Fiction” tem sua construção logo no início, com patente baixo orçamento e falta de definição no modo em que a câmera é trabalhada, dando aquela impressão de “reality” ou de uma produção caseira, real. A locação na praça assemelha não ter sido previamente preparada ao filme, pessoas passam, param e olham curiosas, mormente para a personagem principal. Tem uma cena que um casal interrompe a tranquila caminhada e fica no centro da filmagem até que um assistente (ou o próprio diretor, porque não dava para saber, teve todo o cuidado de não exibir o rosto) dos bastidores resolve afastar educadamente os “pombinhos”. Todos esses detalhes notórios só reforçam ainda mais a sensação de improviso, amador e real; pode ser que todo o povo na praça seja parte da produção, mas é nítido esse proposital. Desnecessário dizer que a ficção aqui é a fita em debate, porém, o filme se utiliza de outro elemento para destacar essa ideia, um recurso de “reality show”, um mero ser com caractéristicas de um derrotado sendo em algumas situações, filmado secundariamente, tratando a vida dele como um jogo, tese para estudo, uma ficção funesta ou metáfora de sua reflexão e delírio. O final dita ainda mais essa afirmação, resultado bem curioso e estranho, podendo não agradar a todos, todavia, é de uma abalroada recreativa que eleva ainda mais o sentido, apreciei muito a proposta.


  Falando em agrado, alguns papéis de Kim Ki-duk demonstram não ter psicologia de causa e efeito ou possui alguma pouco investigada, não é o caso de “Real Fiction”, pois a vingança, inclinação corriqueira, tem sua causa estudada por meios ambíguos, até um ponto em seu desenrolar que a gente já não sabe o que é verídico e patranha, mesclando com a simplicidade desse bom filme, entretanto, de difícil agrado. Porventura, o que pesa negativamente nessa obra é o talho da culminância, mesmo rendendo uma leve expectativa da vendeta, o que é apresentado antes dela talvez canse alguns.


  Resultado: Bom.


Torrent: http://www.kat.ph/real-fiction-2000-fs-dvdrip-divx-repivx-t149247.html
Legenda (do Legendas.TV, é preciso está logado): http://legendas.tv/info.php?d=aaa0b380ab52c478edad6d786185b8d9

22 de nov de 2011

A Ilha (2000)

Título Original: Seom
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Romance, Thriller
Elenco:
Seo Jung (Hee-Jin)
Yu-seok Kim (Hyun-Shik)
Sung-hee Park (Eun-A)
Jo Jae Hyeon (Mang-Chee)
Hang-Seon Jang (Homem de meia idade)
Kim Yeo Jin
Won Seo

Opinião:

  A estória parece ser contada pelos ares do lugar exótico e claustrofóbico onde tudo é sereno, instintivo. Os traumas das personagens principais compõem ritmo ao filme, encontrando-se e complementando-se, gerando conforto mútuo, só que mais tarde, todo esse início harmônico é rompido, tendência dos complexos amorosos. Uma dolorosa história de amor que vai além de isolamentos, de quebras e consertos, de idas e retornos; uma exibição do ser humano em circunstâncias extremistas.

  Aliás, “história de amor” é só um clichê de argumentação, porque em nenhum momento a película assume isso, ambos mantêm contato para suas saciações carnais e como itinerário para libertar “a ilha” dentro de si. Embora em algumas situações a mulher revele paixão por um homem que lhe sensibilizou, viu nele a cura para sua moléstia, seu aval e descanso. Ela é a genuína ilha que se calou para o mundo por alguma razão não explicada na fita, cujo entendo como ponto forte do filme, nos possibilitando uma série de conclusões em todo esse clima estranho, metafórico,quintessencial, violento. Ela vislumbrava nele toda sua companhia “íntima-familiar” e estava disposta a tudo para mantê-lo ao seu lado, a carência e o ciúme transparecendo em formas mortalmente terríficas, utilizando-se de chantagens até mesmo autodestrutivas.


  No elenco me chamou atenção o ator Jo Jae Hyeon, o mesmo de “Crocodilo”, “Wild Animals” e “Bad Guy”, um ótimo ator que infelizmente teve uma participação muito curta. “O Bordel do Lago”, outro título nacional desse mesmo filme, também é conhecido pela sua violência crua com os animais, que mesmo sendo normalmente comestíveis, em Cinema ganha uma proporção mais cruel e polêmica.

  Resultado: Bom.

Wild Animals (1997)

Título Original: Yasaeng dongmul
Ano: 1997
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Cheong-hae)
Sasha Rucavina (Corrine)
Richard Bohringer (Boss)
Denis Lavant (Emil)

Opinião:
  Assim como “Crocodilo”, “Animais Selvagens” é outro digno do título, pois a agressividade é elemento presente em quase todas as cenas, até lances de sexo em que o autor sempre faz questão de exibir.

  Nota-se que nesses filmes antigos do Ki-duk, faziam bastante uso da violência (mormente com as mulheres) sem uma aparente preocupação em estudá-la, dando aquela impressão de apenas apresentar fatos (ferinos), um atrás do outro, numa sucessão dinâmica de acontecimentos, ganhando muita ação, mas perdendo em conteúdo. Tudo isso cria uma barreira dimensional nos impedindo o envolvimento íntegro com as personagens, em situações insólitas, no entanto, se pensar bem, são altamente identificáveis. Isso mesmo, Kim Ki-duk consegue formular atmosferas esdrúxulas que mesmo assim nos identificamos. São filmes frios, secos e com uma lancinância (quem sabe até gratuita) veemente, no entanto, quando chegam a um clímax, conseguem emocionar estranhamente, em momentos tocantes, sem usar pieguices, mesmo que essas situações não fiquem convincentes, passando despercebidas. “Wild Animals” segue um caminho parecido com esse, um filme violento, entretanto, soa superficial por não haver uma análise mais profunda dessa pungência ou do ser humano em condições precárias, ficando tudo meio raso.


  Se o diretor tivesse a mesma habilidade que tem hoje em dia, “Wild Animals” e alguns de seus outros antigos trabalhos estariam em um nível muito mais respeitoso. Ainda continuo com a proposta de refilmagem pelo próprio autor, corrigindo falhas, principalmente técnicas.

Resultado: Regular à Bom.

Torrent: http://isohunt.com/torrent_details/49611392/?tab=summary
Legenda: http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3159595/yasaeng-dongmul-bohoguyeog-pb

20 de nov de 2011

A Garota da Capa Vermelha (2011)

Título Original: Red Riding Hood
Ano: 2011
País: EUA
Diretora: Catherine Hardwicke
Gênero: Suspense
Elenco: Amanda Seyfried, Shiloh Fernandez, Max Irons, Gary Oldman.

Opinião:

  Com certeza existem situações que podem se tornar muito incômodas e isso já foi provado pelas inúmeras avaliações odiosas, por motivos de aparente e substancial desproporção, momentos que, de vista, não condizem com a proposta esperada.

  Mas a pergunta é: Queriam um “Live Action” da Chapeuzinho Vermelho? Sim e Não! Que o filme mantivesse o tema clássico e fosse mais pesado (e foi), talvez o que mais prejudicaram o sucesso do longa foram as cenas românticas temperadas com erotismo, que simplesmente não têm conexão com a faixa etária envolvida com o conto original, de fato, revoltou muita gente e pegou mal para o filme, e pior para a diretora, mesma de “Crepúsculo”, que por informação, é bem massacrado.


  Enfim, não vou entrar em detalhes porque não estou com a cabeça boa hoje, mas adianto que não gostei e nem odiei “Red Riding Hood”, não me animou e nem me entediou (aliás, só um pouco). Fiquei “supremamente” NEUTRO. Que proeza, né?

  Resultado: Regular à Bom.

19 de nov de 2011

Um Olhar do Paraíso (2009)

Título Original: The Lovely Bones
País: EUA
Ano: 2009
Diretor: Peter Jackson
Gênero: Drama, Fantasia
Elenco:
Stanley Tucci (George Harvey)
Saoirse Ronan (Susie Salmon)
Mark Wahlberg (Jack Salmon)
Rachel Weisz (Abigail Salmon)
Susan Sarandon (Grandma Lynn)


Opinião:

  Belíssimo!

  Uma odisséia deslumbrante em um mundo de maravilhas, que nos leva à reflexões etéreas, nos projetando à uma outra compreensão e o resultado é um sentimento profundo de paz. O oxigênio do filme é muito agradável de respirar, a edição competente e entretida nos permite uma contemplação sem esforços, uma obra que já nos entrega tudo de maneira esperta, basta a gente se acomodar e sentir todo o encantamento que nos apresenta. Outra sacada interessante é o poder de nos causar tensão, o suspense nos atinge mesmo sabendo de tudo que vai acontecer. A cena que a Susie narra momentos antes de sua morte constrói camada por camada, nos permitindo admirar cada detalhe. Coisa também chamativa no longa, é tratar a morte como algo despercebido, a pessoa não sabe ou aceita que morreu, lógico, a argumentação considera a possibilidade de existir vida após a falência.


  Stanley Tucci em uma performance BRILHANTE, até mais que os hipnóticos olhos da Saoirse Ronan. Muito merecida a indicação ao Oscar como Melhor Ator Coadjuvante, uma atuação sem muitas palavras, deixando apenas os gestos e olhares ganharem atmosfera, acreditem: DIVERTE MUITO! Apesar de tudo, “Um Olhar do Paraíso” recebeu algumas críticas pesadas, canalizadas mais na direção do Peter Jackson (Trilogia: O Senhor dos Anéis), dizendo que ficou artificial, clichê, abusando de belas imagens apenas para emocionar e sem respeitar o conteúdo, estropícios que não vi gravidade nessa linda película. Tiveram sim alguns momentos para se observar com um pé atrás, como o corte do clima sereno para introduzir, desnecessariamente, faixas de humor com músicas inconvenientes, que não condizem muito com a proposta. SPOILER: Acrescentando também o fato de inúmeros e espalhados filmes de fotografias da Susie, “coincidentemente” o último filme que resta é o que “revelará” (sem cabimento) o assassino da menina, ficou algo meio forçado, mas tudo bem.

  Enfim, um excelente filme que proporciona emoção, SHOW de imagens, tensão e humor negro em perfeita representação pelo Stanley Tucci, só por esse ator já vale uma conferida.

Resultado: Bom à Excelente!

17 de nov de 2011

O Menino do Pijama Listrado (2008)

Título Original: The Boy in the Striped Pyjamas
Ano: 2008
País: Reino Unido
Diretor: Mark Herman
Gênero: Drama
Elenco:  
Asa Butterfield (Bruno)
Jack Scanlon (Schmuel)
Béla Fesztbaum (Schultz)
Iván Verebély (Meinberg)
Sheila Hancock (Grandma)
Richard Johnson (I) (Grandpa)
David Thewlis (Father)
Cara Horgan (Maria)
Zsuzsa Holl (Berlin Cook)
Amber Beattie (Gretel)
László Áron (Lars)
Vera Farmiga (Mother)
Henry Kingsmill (Karl)
Domonkos Németh (Martin)
Zac Mattoon O’Brien (Leon)
Attila Egyed (Heinz)

Opinião:

  Considero como erro encarar algum filme desta forma, mas revelo que esperava muito mais da produção. O poster é lindo e leva a crer sobre algo mais "sério" e elucubrativo. Dá até para si sentir um pouco vidente, porque o nível de clichê ou previsibilidade torna-o um tanto “bobo”. Entretanto, isso é só um achismo, pois o trabalho tem coerência com aquela velha proposta circular: Um filme para a família. Um filme para todos. Nada mau, oras.

  “O Menino do Pijama Listrado” procura seguir a perspectiva pueril da infância, acompanhando tudo com seus olhares curiosos e imaginação florescente numa das épocas mais maldosas da humanidade. A frase de John Betjeman, no início: “A infância é medida por sons, aromas e visões, antes do tempo obscuro da razão se expanda.” Deixa limpo que mostrará o encantamento fértil e que depois o pessimismo assumiria lugar, ganhando ares de reflexão, como resultado de tanto cataclismo visto (não é bem o que ocorre). A trilha sonora do James Horner (ótimo em Braveheart) torna-se repetitiva, como fórmula de manter o clima “emocionante” (sem necessidade), além de não ter, francamente, respeitável composição (perdões, James).


  SPOILER: O final é trágico, porém, o garoto que decide “brincar” de explorador em um campo de concentração talvez tenha ficado um tanto incabível, todavia, a película justifica como forma do Bruno se sentir menos culpado, ajudando seu amigo nessa jornada, mesmo que a presença dele não faça diferença se encontrará ou não o pai do Schmuel. Porventura, a melhor cena é a catástrofe. Por ser um filme trivial, a gente fica duvidando se o menino morre, achando que vai acontecer uma solução normalmente heróica desses filmes clichês, mas não, até que surpreende, mata mesmo (Risos!).

  Segundo a intenção de fazer uma obra para a família, até para que os meninos entendam e pensem; realmente, olhando por esse lado, o filme é muito bom e “deprê” para as crianças, deixarão elas muito tristes, fará bem para que reflitam desde cedo que o preconceito só destrói vidas. O filme é bonzinho, mas os fãs que me perdoem, não me emocionou e nem pretendo revê-lo. Já passei dessa fase.

Resultado: Regular.

Torrent: http://www.kat.ph/the-boy-in-the-striped-pyjamas-2008-dvdrip-axxo-t1957715.html

15 de nov de 2011

Inverno da Alma (2010)

Título Original: Winter’s Bone
Ano: 2010
País: EUA
Diretora: Debra Granik
Gênero: Drama, Suspense
Elenco: Jennifer Lawrence, Isaiah Stone, Ashlee Thompson, Valerie Richards

Opinião:

  O título leva a crer sobre algo mais espirituoso e existencial, inserindo-se no clima de mistério quimera e alimentando isso. “Inverno da Alma” trata-se de um filme quase perfeito, aliás, esse “quase” é só uma precaução, pois é difícil encontrar furos nele. Segue um caminho seguro e bem calculado, parece que nada fica fora do lugar, mesclando drama e suspense com maestria e simplicidade, sem aquelas coisas exageradas norte-americanas.

  A película é humilde e procura contar uma história sem usar adereços. Esteve no círculo comercial (grande público) sem ter características da raça. É seco, duro e gélido, cujos são estereotipados como arrastado, parado ou chato, tudo por julgarem rápido demais, sem fazerem um respeitável esforço para compreender e sentir a missiva da obra, sua tocante grandeza. “Winter’s Bone” consegue o feito curioso de ser borbulhado de sentimentos e mesmo assim parecer tão sem alma, como se a emoção fosse passada em gradações e cada uma delas fosse congelada segundos depois, porém, não usa sempre o mesmo recurso, lógico. O silêncio interiorano parece seguir as frias correntes de ar, a gente sente o filme “respirar” com serenidade (é estranho isso), completando com o diálogo visual que é igualmente expressivo, com imagens que parecem “descascar escamas”, de forma que elas traduzam o que é mais relevante e familiar.



  Vencedor do Prêmio do Júri em 2010, no Festival de Sundance e indicado ao Oscar em 4 categorias, “Inverno da Alma” é um grande exemplar, não só pelas suas premiações, entretanto, pela aula de Cinema que esse filme também propõe.



Resultado: Ótimo!

12 de nov de 2011

Crocodilo (1996)

Título Original: Ag-o
Ano: 1996
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Crocodilo)
Ahn Jae-hong
Mu-song Jeon
Opinião:

  Sabia que os crocodilos também podem ser gentis? Crocodilo é um bicho da família “crocodylidae”, habita nas terras de rio quase opaco na Ásia, África, América do Sul e Norte. Irreverente, temperamento feroz e lancinante. A semelhança do original e do bicho-homem é notória, vivendo à espreita e em situações críticas, como um predador que vai à caça, vai em busca daquilo que lhe é útil, fera egoísta. Se o autor do filme é um escárnio crítico da condição feminina na Coreia do Sul, aqui ele deixa claro que a presa do homem é a mulher, cujo sente prazer em devorá-la pungentemente e quando a mesma se entrega, se conforma, ele parece perder o interesse; a resistência é um afrodisíaco.

  Aos poucos o filme chega a um clímax leve de emoção (embora não afirme esse intento). Crocodilo-Homem muda, passa a se harmonizar com seus parceiros, reconhece que é tudo que tem. Enfim, o amor parece ter assaltado o coração desse marginal, algo que nunca sentiu antes, tornando o crocodilo manso, sendo gentil pela primeira vez (?); mas infelizmente as coisas andam belicosas, bem no momento mais importante de sua vida. O final é apnético! 


  Pelo visível baixo orçamento, a parte técnica da película não agrada, tornando o filme exaustívo de acompanhar. Entretanto, com as impressões já citadas, Kim Ki-duk começa bem com sua carreira de realizador. Seria nada mau se o autor fizesse uma refilmagem de seu trabalho inicial, com os mesmos atores (menos o menino, né? ^_^) e suas qualidades atuais de Diretor, porque a ideia do filme é ótima! Tente imaginar o contemporâneo Kim com o enredo de “Crocodilo”. Não seria arrasador?

SPOILER

Crocodilo diz: "Esses barquinhos só me fazem lembrar de quão minha vida é miserável!" Eram porque faziam lembrar a infância dele ou representavam um sonho que nunca era realizado? Curioso a cena que ele pega uma tartaruga e pinta o casco de azul, olha para o garoto e joga no rio, como se fosse um barquinho em direção ao mar, um sonho lançado. O triste é que no fim a tartaruga continua no mesmo lugar.


Resultado: De Regular à Bom.


Torrent: http://www.kat.ph/crocodile-a-go-1996-kim-ki-duk-t488620.html





10 de nov de 2011

Birdcage Inn (1998)

Título Original: Paran Daemun
Ano: 1998
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Ji-Eun Lim (Jin-a)
Hae-eun-Lee (Hye-mi)
Jae-mo Ahn (Hyun-woo)
Hyeong-qi Jeong (Gecko)
Min-seok Son (Jin-ho)


Opinião:

  Beleza extravagante, violência, sentimentos comuns e especiais. Mesmo com suas diferenças notáveis, ambas as personagens lembram aquelas pinturas abstratas e impressionistas, contrastando com os traços bem definidos e atiçando os instintos (talvez ou com certeza até libidinosos).


  Agressão que submete e discrimina, aborda sempre a mulher em condições terríveis, conversa coloquialmente com os preconceitos. Podemos nos incomodar, mas expõe o asco de conviver, porventura, com uma pessoa que vende o corpo, como se exalasse sujeira ou moléstia por toda parte. Em “Birdcage Inn” isso é tocantemente oposto, pois tal ser vivo é de uma delicadeza, humildade inspiradora; sem contar com sua aura artística, ilustrada com talento pelo lápis, infelizmente desdenhada por todos.


  É marcante a apologia ao amor que nasce de um longo conflito, de uma comprida série de intrigas, como se fossem testes que se provam o crível. Duas figuras distintas, mas próximas em alguns pontos familiares. Uma se conserva virgem, pura, limpa (enfatiza-se o valor da virgindade feminina), enquanto aparenta ser mais mórbida que a meretriz, cuja intimidade está em constante invasão. Entretanto, as duas tem surtos de suas características contrárias, a amarga em alguns momentos consegue ser tão doce e vice-versa. A harmonia é finalmente conquistada em seu decorrer, gerando alguns detalhes curiosos, principalmente o final, deixando uma interpretação a mais para os perversos.


  Um belo filme de uma grande amizade em seu pleno nascimento.

Resultado: De Bom à Excelente!

Torrent e Legenda: http://aprivadacult.blogspot.com/2011/03/paran-daemun-aka-birdcage-inn.html?zx=ada800c00d78dcb2

6 de nov de 2011

Samaritana (2004)

                                                                      
Título Original: Samaria
Ano: 2004
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Yeo-reum Han (Jae-yeong (como Min-jeong Seo))
Oh Young (Músico)
Kwon Hyun-Min (Marinheiro)
Eol Lee (Yeong-ki)
Kwak Ji Min (Yeo-jin)

Opinião:
  Entre causa, efeito e reflexão, “Samaritana” mostra com excelência que a disciplina, compreensão e silêncio são os melhores ingredientes para modelar o espírito de uma pessoa, tendo consequências produtivas no comportamento. Não adianta dá murro em ponta de faca! Gritos ou semelhantes só ferem os ramos, a raiz estar em um ponto mais inacessível.


  “Vasumitra”, de um desejo que leva a entrega gratuita do corpo; “Samaria” (título), da redenção que vai ao refletir sobre as ações e finalmente “Sonata”, o som melodioso e lúgubre, renova a alma, drena as impurezas e mostra um novo caminho a seguir. A fase sonhadora dos adolescentes, esse instinto aventureiro que não mede atitudes para conseguir o que designa, que transparece força e fragilidade em tempo idêntico, é sórdida e pueril. O pai viúvo vendo sua única filha nas peripécias do caótico mundo é como se o próprio acabasse sobre ele, e o que mais marca é seu aval sólido diante dessa tempestade. Ele a ensina com mensagens silentes que arrepiam a pele, parece que a todo momento vai explodir, mas surpreende pelo seu exemplar amor, privando-a de um sofrimento maior. O filme aborda um conteúdo muito tocante e de soberba importância. 


  Por essas e outras razões, o cineasta sul-coreano acerta mais uma vez nessa grande obra. O final é de uma frieza terrível e pode desagradar muita gente, pois fica aquele “gostinho” de quero mais. Bastante recomendado para os pais, mormente aqueles que tiveram problemas com seus filhos.


Resultado: Excelente!


Torrent: http://www.kat.ph/samaria-2004-dvdrip-divx-ac3-mong-t150556.html#
Legenda: http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3095728/samaria-pb

5 de nov de 2011

Bad Guy (2001)

Título Original: Nabbeun namja 
Ano: 2001
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Han-ki)
Won Seo (Sun-hwa)
Kim Yun-Tae (Yun-tae)
Deok-Mun Choi (Myeong-su)
Choi Yoon Young (Hyun-ja)
Yoo-Jin Shin (Min-jung)
Jung-young Kim (I) (Eun-hye)
Nam Goong Min (Hyun-su)

Opinião:

Poderosíssimo!

A obra não deixa seu sentido claro ou parece não fazer questão disso, gerando algumas margens de interpretações que possam fugir de sua real intenção. Uma das principais forças que conduz o longa está em seu início incomum e inesquecível, que dita toda a motivação do desfecho, ajudando a concluir uma cadeia de acontecimentos históricos marcados por algumas características, tudo com muita imundície. Mas acreditem, emociona.

Através de um homem com olhar maníaco e penetrante, uma inocente vida muda de um extremo ao outro. Com sua obsessão, ele assiste sua “cria” se transformar gradualmente, a pureza de uma vida se corromper até a última gota, sem o próprio usar táticas ferinas ou gritos, apenas sua “presa” cai em uma armadilha eterna de prisão, uma sádica lavagem cerebral.


Personagem esse que mantém seu mistério, nos deixando perplexos com seu singular comportamento, beirando de uma brutalidade aterradora à um ingênuo carente, suportanto dores do corpo e da alma, uma das personagens que mais vi levar porrada e sem reclamar. Talvez porque o seu estranho amor lhe fazia sentir-se culpado. De fato, um “bad guy”, um “tipo ruim”. Filme para ser revisto.

Resultado: Excelente!

3 de nov de 2011

Endereço Desconhecido (2001)

Título Original: Suchwiin bulmyeong
Ano: 2001
País: Coréia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Dong-kun Yang
Min-jung Ban
Young-min Kim

Opinião:

 “Endereço Desconhecido” é um filme triste que mostra severamente a vida de pessoas apáticas que se entregaram ao sofrimento. Mesmo com algumas atitudes que buscam provar o contrário, elas mesmas não são persuasivas. Um clima frio e aspecto quase incolor, junto a acontecimentos trágicos, perversos, de indivíduos desalmados e sem esperanças, cujo valores nesses humanos têm inversões curiosas, com um fundo musical que traduz enfaticamente o ar melancólico dessa violenta história sem rumo, fazendo uma ligação com o título.

  A crítica ao comportamento do povo local e dos estrangeiros fica bem clara, desses modernos que realizam uma boa ação em troca do benefício próprio, de bens que não podem ser comprados, como amor e respeito. Critica o frágil com capa de bondade como o pior veneno da vida, como a lei da sobrevivência afirma. Ótimas presenças dos atores Yang Dong-kun (Oyama – O Lutador Lendário) e Young-min Kim (Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera), ambos estão marcantes.


  Kim Ki-duk parece conter as assimetrias maravilhosas de seu vanguardismo, não está tão ousado ou estranho como em seus outros trabalhos, aqui ele realiza um bom filme padrão ou normal. Quem conhece “Primavera, Verão...”, “Casa Vazia”, “Time” e principalmente “O Arco”, esperava ver mais uma de suas loucuras, de seus misticismos belos, intrigantes e nada convencionais. Em “Endereço Desconhecido” não existe aquela disformidade, anomalia própria de seu Cinema, gerando um encantamento sem explicações. Aqui ele não tem intenção disso, apenas a realidade nua, crua e visceralmente dolorosa.

  Aliás, existem sim algumas cenas com aquela missiva visual, típica de pinturas abstratas, dando para identificar o diretor nelas; porém, não tem aquela magia bizarra de alguns de seus outros trabalhos. Parece que esse filme é baseado em fatos reais, se for isso, então está certo mesmo em não usar muito de seu Universo.

Resultado: De Bom à Excelente!