20 de dez de 2011

Procura Insaciável (1971)

Título Original: Taking Off
Ano: 1971
País: EUA
Diretor: Milos Forman
Gênero: Comédia, Drama, Musical
Elenco:
Lynn Carlin (Lynn Tyne)
Buck Henry (Larry Tyne)
Georgia Engel (Margot)
Tony Harvey
Linnea Heacock (Jeannie Tyne)
Entre outros...


Opinião:

  Pelo visto, até agora não existe legenda decente em português para este filme, foi preciso suar a camisa para assistí-lo.



  Primeiro: as legendas disponíveis estão em espanhol e em inglês.

  Segundo: a versão foi traduzida pelo Google Tradutor e esse recurso instantâneo na maioria das vezes não é de qualidade.

  Terceiro: Após a tradução, foi preciso transformar o texto no formato .srt e inserir o traço (-) em toda sua extensão, consumindo muito tempo.

  Quarto: Esta foi a parte mais corroedora, depois de todo o trabalho de colocar o traço (-), a legenda não estava no formato do filme e a quase todo minuto tinha que ser ressincronizada pelo “Subtitle Workshop”, do início ao fim da película.

  Tudo isso gerou uma considerável tensão, prejudicando a harmonia com a fita, contemplação e entretenimento. Porém, de todos os filmes do Milos Forman que vi, esse foi o menos agradável, não só pelo trabalho incômodo que tive para conhecê-lo, mas pelo conteúdo em si, que não foi tão forte como os outros. Enfim, no momento não tenho condições de resenhar “Procura Insaciável”, entretanto, agora está tudo bem, a legenda em acordo com o filme, mesmo com a tradução precária do Google, embora compreensível. Da próxima vez que rever, vou julgar a obra com mais convicção.

Resultado: Regular / Bom

14 de dez de 2011

Plot Device (2011)

Curta-metragem estadunidense
Título Original: Plot Device
Ano: 2011
País: EUA
Diretor: Seth Worley
Gênero: Curta-metragem, Aventura
Elenco: Ben Worley


Opinião:

  Outro modelar curta-metragem que merece ser compartilhado com vocês. É mais um show de imagens e efeitos especiais, um ótimo exercício do cinema comercial, não dando importância ao conteúdo ou qualquer mensagem elucubrativa. Servindo como um bom e simples entretenimento, embora científico, explicações dos acontecimentos mostrados não são necessários, pelo contrário, perderia a leveza e comicidade, a intenção foi bem sucedida, fazer algo descontraído. “Plot Device”, um “short film” norte americano, dirigido por Seth Worley, segundo informações, faz referências notórias a alguns gêneros de filmes, como Romance, Drama e Terror, além da propaganda ao "RedGiant Magic Bullet Suite v11", software profissional para cineastas. Não há muito o que dizer, apenas sentar e curtir esse excelente filme.


Link do programa RedGiant: http://www.superdownload.us/baixar-redgiant-magic-bullet-suite-v11-64bit-2011/


Resultado: Excelente!


Filme Completo:



Suspiros & Café (2009)

Curta-metragem nacional


Título Original: Suspiros & Café
Ano: 2009
País: Brasil
Diretores: Gabriel Dib, Diogo Sinhoroto
Gênero: Curta-metragem, Drama
Elenco: Rafael Rodriguez, Juliana Figueiredo


Opinião:

  Ambiguidade alegórica no significado da missiva visual, dos fragmentos do suspiro junto ao café, fazendo parte desse meio e mantendo-se um tanto ermos, mesmo estando coligados, existia uma minuciosa barreira que os afastava. Como quisessem penetrar em um mundo tão próximo e aquecido, mas de difícil acesso por essas individuais propriedades. Um curta-metragem (10 minutos) primoroso, dá gosto de ver uma produção assim.

  Apesar de um filme resumido, impressiona o seu inversamente proporcional, a riqueza de mensagens esmiuçadoras, as imagens bem trabalhadas, a brincadeira que faz com o observador. Entretanto, o que genuinamente expande os argumentos são as metáforas (brilhantemente usadas), que se pensadas bem, geram muitos níveis de sugestões, dando a entender que cada detalhe possui sua dimensão abundante em conteúdo, significado. Uma microscopia estimulante, à medida que amplia a capacidade da visão, novas descobertas surgem em sua elevada beleza. Aqui o “suspiro” tem duplo sentido, o de adoçar o café e o de extravasar emoções, em suave tom romanesco; já o café com seu sabor amargo, austero e sisudo, pode perfeitamente ficar doce como o suspiro, se for bem dissolvido, que de fato não foi. Isso pode ser percebido nas atuações, que logravam sua leve consistência profissional, todavia, pareciam um tanto amadoras, propositalmente, mas não no contexto da história, que já cria um vínculo de envolvimento logo nos primeiros segundos. Afinal, o autor si inspirou no cinema mudo, do tipo aplicado por Kim Ki-duk, em “Fôlego”?




  “Suspiros & Café” é um curta-metragem exemplar. Existem várias outras interpretações a serem descritas, no entanto, essas são as mais nítidas. É importante notar também que a ficção seduz a realidade, confundindo-a. Esse é outro ponto que fica bem evidente. Recomendado como bom entretenimento e pela delgadeza.


Resultado: Excelente! 


Filme Completo:





12 de dez de 2011

Um Animal Menor (2009)

Curta-metragem
Título Original: Um Animal Menor
Ano: 2009
País: Brasil
Diretores: Marcos E. Contreras, Pedro Harres
Gênero: Curta-metragem, Suspense, Thriller
Elenco:
Elisa Volpatto
Jorge Wisniewski


Opinião:

  Excelente curta-metragem brasileiro. Um trabalho cuidadosamente realizado, cativante, com uma trama tensa, réproba, egoísta, carcereira, não só das personagens, mas também pela capacidade em envolver, sugar pela estória, mantendo a proposta até seu término, sem se desorientar.
  

  Uma das qualidades notórias de “Um Animal Menor” é a fusão de singeleza e profissionalismo (tanto pelo rumo técnico assim como a forma de conduzir as filmagens), por ter uma trama simples e mesmo assim ser bastante convincente, conseguindo prender pela curiosidade do desfecho, atinar as motivações das personagens (afinal, porque ambas estão naquela situação?). Igualmente, a figura antagonista, que nem precisa de introdução, apenas pelo clima e maneira suavemente insólita, paradoxal, de interagir com a “vítima”, reforça tudo isso em seu decorrer. Aliás, as duas figuras não necessitam de prévia apresentação, isso já ocorre à medida que o tempo passa. A mulher, sem saber, ficou presa em uma cratéra e o garoto fica ali com ela, e pronto. Mesmo pela ausência de dados sobre o que gerou aquela sufocante condição, não enfraquece o magnetismo do filme. Ótima atmosfera lúgubre e erma trabalhada, dando azos à vazios existências, o que em aparência é genuíno, não esquece de enfatizar a corda falsa da confiaça, de que tudo aquilo pode ser ilusório ou um pesadelo interminável. Quiçá, o que negativa um pouco esse bom curta, seja alguns diálogos desnecessariamente instrutivos, por exemplo: “Você precisa comer para não morrer de fome!!” Dado estado deplorável, dizer “Você precisa comer!!” já é o bastante, inculca mais respeito, austeridade e controle. Atitude exemplar também, que é muito gratificante para quem aprecia Cinema, é exibir os bastidores, mostrando um pouco sobre como foi feito. “Um Animal Menor” tem Making Of de Arte, Montagem, Direção, Fotografia e Produção, tudo isso está disponibilizado no YouTube.




  Caso não tenha visto o curta, não leia mais a partir daqui. Uma interpretação que pode ser alcançada em seu final, é o estudo dos delírios de um menino deprimido e isolado. A água do poço representava o reflexo de sua tristeza, criando imaginariamente uma mulher que lograva ter domínio, até sexual. Os insultos que ela mirava na verdade eram produtos de sua autocrítica, era ele discutindo com si próprio, com seu modo de viver. A corda figurava-se o caminho de tirá-lo do poço, da mesmice, da pena que tinha si e emular com bravura as peripécias da vida. Lógico que isso é apenas um ponto de vista, assim como existem outros, pois a missiva é aberta.


Resultado: Bom / Excelente!


Um Animal Menor (completo): 




Trailer:



Making Of de Arte:





Making Of de Montagem:





Making Of de Direção (1):





Making Of de Direção (2):





Making Of de Fotografia:




Making Of de Produção:





11 de dez de 2011

I Miss Sonja Henie (1971)

Curta-metragem
Título Original: I Miss Sonja Henie
Ano: 1971
País: Sérvia
Diretores: Karpo Acimovic-Godina, Milos Forman, Tinto Brass, Buck Henry, Dusan Makavejev, Frederick Wiseman, Mladomir ‘Purisa’ Djordjevic, Paul Morrissey
Gênero: Drama, Curta-metragem
Elenco:
Brooke Hayward
Sonja Henie
Branko Milicevic
Catherine Rouvel
Dobrila Stojnic
Srdjan Zelenovic


Opinião:

  O curta-metragem “Sinto Saudades de Sonja Henie” (título traduzido) demonstra ser um projeto bem pessoal, com participação conjunta com vários diretores, entre eles Milos Forman e Tinto Brass. O tempo todo o curta não assume posição descritiva simples, dando base a interpretações subjetivas em níveis diversos.

  A própria sinopse já diz bastante, dando a entender, depois que assiste, que não passa de um jogo lúdico e oportunidade de interagir com outros cineastas, uma brincadeira entre eles. O que deixa inequívoco, de fato, é o tributo a Sonja (ou Sonia) Henie, uma patinadora artística e atriz norueguesa que faleceu numa viagem de avião, sendo um choque, já que ela era muito admirada como artista, igualmente pela beleza. O bem desconhecido cinegrafista Karpo Acimovic-Godina (responsável pela ideia) convidou outros diretores para gravar trechos e obrigatoriamente tendo a frase “I miss Sonia Henie” em cada um deles. O filme varia entre saudosismo, melancolia, delírio, desejo sexual, bizarrice, instinto, mas tudo com muito humor, ou bobeira, como alguns diriam, só não dizem muito porque o curta-metragem é bastante incógnito.

  Mas que tributo libidinoso é esse? Parece mais uma dedicatória de um fã onanista (Risos!) ou de alguém que conviveu reconditamente com a celebridade em questão, criando um vínculo solitário, venéreo e fictício com sua musa, que a morte fortuita causou de alguma forma a abstinência. Talvez seja isso mesmo, “abstinência”. Não afetando apenas os homens carentes, mas também uma exclusividade feminina.

Resultado: Bom.

10 de dez de 2011

O Baile dos Bombeiros (1967)

Título Original: Horí, má panenko
Ano: 1967
País: República Tcheca
Diretor: Milos Forman
Gênero: Comédia
Elenco:
Jan Vostrcil
Josef Kutálek
Stanislav Holubec
Josef Sebánek
E mais...


Opinião:

  Caçoação de primeira ao regime comunista na década de 60 da República Tcheca, a crítica burlesca alastra em degraus até lograr um nível gritante, embora o próprio autor revele em uma entrevista que essa não era a intenção dele, mas apenas realizar um filme cômico com esses fatos. Disse também que toda essa controvérsia foi principalmente fruto de uma desconfiança que o próprio regime tinha de si mesmo, sentindo-se ameaçado. Ainda mais com o surgimento da Nouvelle Vague, estilo artístico do cinema francês que vinha ganhando cada vez mais espaço, tentando derrubar os muros dos filmes comerciais daquele período.


  Vendo “O Baile dos Bombeiros” com a perspectiva dos dias recentes, fica meio difícil compreender o espírito da polêmica gerada na época, que para nós podem chegar até despercebidas essas missivas razoavelmente disfarçadas e acusadoras, mas elas estão bem evidentes, como o sarcasmo, desmoralização, parecendo tatuar na testa de cada personalidade ali presente a palavra “palhaço”. O efeito foi tão montanhoso, despertando revolta no governo, que Milos Forman foi perseguido e proibido de realizar fitas na Tchecoslováquia, então o cineasta dá adeus ao cinema checo e abraça a emulação de trabalhar no país da sétima arte, os Estados Unidos da América. Iniciando com “Procura Insaciável” (1971) ou conhecido também como “Os Amores de Uma Adolescente”, para em seguida marcar seu nome de uma vez por todas com o louvado “Um Estranho no Ninho” (1975). Com uma classe distinta que Forman ostentou em “Pedro, O Negro” (1964) e “Os Amores de Uma Loira” (1965), mesmo que esses dois filmes não tenham conotação política relevante, limitando-se à comédia e modo de vida, “O Baile dos Bombeiros” demonstra não se preocupar em construir previamente uma situação “identifical-familiar”, que é, de fato, a boa sacada dos anteriores filmes, gerando uma agradável comicidade insinuante, com detalhes característicos, ou seja, não chega a ser tão engraçado como os outros. Redundância: a comédia dessas obras do Forman não é desse tipo que muitos de vocês geralmente assistem, grotescas ou dinâmicas. Aqui as coisas são muito mais refinadas, singelas e inteligentes; exigem um certo grau de maturidade do espectador para serem contempladas. Um bom filme.


  Agora a resenha vai adentrar em seu lado mais descritivo dos acontecimentos, portanto, se você ainda não viu ao filme, deixe de ler. O Corpo de Bombeiros planeja uma solenidade para comemorar os 86 anos de seu ex-chefe de departamento, que está sofrendo de cancêr, porém, o próprio parece não saber disso ou talvez tenha conhecimento de seu estado clínico, então o grupo de bombeiros procura manter sigilo na entrega do pequeno machado de ouro, para não parecer que está homenageando só por causa de sua doença. Isso já seria início de uma sátira a bioquice da burocracia? Se olhar bem, pode ser visto que sim, mesmo não sendo a intenção do cinegrafista ou tal cena trate da conveniência moralmente aceita de qualquer trabalho, que a mentira é mais certa que a verdade em momentos peculiares. A fita faz questão de enfatizar os requintes do objeto a ser entregue, tendo sua abertura com ele e logo de frente simbolizando poder, honra ao mérito à alguém que fez muito pela Corporação. Admito que não sei do valor histórico desse ícone, entretanto, imagino que não seja fundamental para a Organização, pois na reunião todos eles olham cuidadosamente e como algo um tanto desconhecido. Começa então a modelagem da festa e a depreciação passa a assumir um teor mais patente com o sumiço de alimentos e a falta de eficácia em manter a ordem, cujas personagens fazem papéis ridículos e engraçados onde preferem apagar o fogo em um cartaz que auxiliar uma pessoa em perigo, chegam a lembrar “Os Três Patetas” ou “Os Trapalhões” pelo tipo de burlesquidade que se baseia na ignorância. E assim é sua introdução, com um cartaz a figurar os bombeiros apagando um incêndio e em sua totalidade sendo consumido em chamas, metaforizando que “bombeiro” e “nada” são a mesma coisa, dar-se pouco valor a eles e a burocracia; para causar um efeito a mais, o plano de fundo dos créditos iniciativos é composto por fotos dos trabalhadores críveis e com uma trilha musical circense.




  O concurso de beleza, um dos eventos principais do Baile, é dirigido pelos membros do Corpo e as candidatas são escolhidas a dedo, mesmo sem o consentimento delas, apenas por se encaixarem no padrão de sedução aceito. Eles insistem com palavras diretas e de maneira que as candidatas fiquem sem opções, a não ser concordar com o convite. Outras vezes as trazem bruscamente para preencherem umas lacunas no número de escolhidas. Depois de tudo, eles se reúnem com elas atrás das cortinas para definirem os “parâmetros” do desfile, o que ficam bem duvidosos esses intentos pela semelhança abusiva sexual que contorna, nem por aproximações físicas, todavia, pela atmosfera criada em torno, dando a entender que vai além de uma básica competição, ainda mais com a figura materna presente, como se fosse a trava de segurança contra os atos ilícitos, que eles tentam desconcertantemente afastar, tornando-os ainda mais suspeitos. As próprias candidatas já são uma ironia em si, algumas estão despadronizadas ou têm sua beleza singular, exótica. Na hora de coroar a mais bonita o ritmo desanda negativamente, gerando uma confusão de complicado controle que o Milos Forman aproveita para dá closes íntimos, reforçando melhor sua proposta de um filme descontraído.


  Chegado o trecho da película que pode ser visto como mais uma denúncia contra o desempenho da Corporação de Bombeiros e a burocracia, que neste momento em que eles estão na gandaia, na baderna; algo de importante e grave está vingando do outro lado, onde uma enorme casa incendeia com um senhor dentro. Eles partem para amenizar o estrago, mas a falta de estrutura em solucionar o problema deixa a desejar, ainda para piorar, um dos integrantes do Baile tem a ousadia de pedir emprestada a mesa da casa incinerada para vender bebidas. São detalhes, minúcias, que se forem interpretados, ganham muito significado. Os pequenos furtos continuam sua trajetória discreta, dessa vez raptando os prêmios do concurso, já nem vou mais citar a palavra “ridículo” para não ficar excessivo, onde a solução que eles encontram acabam tendo resultados desastrosos para o próprio grupo, acompanhado com o argumento que é preferível não sujar a imagem da Instituição que ser honesto e devolver os objetos furtados em ocasiões impróprias.


  O ex-chefe da Corporação, já é o ícone propositalmente pintado para ser bobo, onde a fatuidade e candidez se mesclam. Composto por atos falhos em seu grau acima da média do risível, no entanto, com atitudes bem simpáticas e palavras bonitas nos momentos certos, até a expressão ingênua. O final é ótimo, tanta altercação para nada, massacra o comunismo. “O Baile dos Bombeiros” é a última obra checa do Milos Forman e seu primeiro filme colorido. Jucundo!


Resultado: Bom / Excelente! 


Torrent: http://www.kat.ph/milos-forman-the-firemen-s-ball-1967-criterion-t1145577.html
Legenda (é preciso sincronizar): http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3475493/hori-ma-panenko-pb

6 de dez de 2011

Pedro, O Negro (1964)

Título Original: Cerný Petr
Ano: 1964
País: República Tcheca
Diretor: Milos Forman
Gênero: Drama
Elenco:
Ladislav Jakim
Pavla Martinkova
Jan Vostrcil
Vladimír Pucholt
Pavel Sedlacek


Opinião:

  Estágio típico de um jovem em composição, fase que irá lhe definir homem, responsável, chefe de família. Um pouco mais da abertura do filme fica notável a apatia de Pedro (Petr, no original), sua falta de discernimento é cômica e seria uma maldade dizer que é um estado normal dessa idade.

  Pedro é um adolescente corriqueiro como qualquer outro, débil em umas situações e sarcástico em outras. Ele parece raciocinar desprovido de aval próprio, faz o que lhe mandam sem medidas, talvez efeito de um desinteresse profundo ou inibição. Precisa passar por importantes reformas, que são guiadas pelo seu censor pai, inclusive o ator Jan Vostrcil que fez a personagem paterna, usurpa para si todas as cenas que está presente, que segundo informações nem era um intérprete por profissão e sim, líder de uma banda musical. O singelo motivo disso é pelas ótimas cadências que mostrou em tela, fazendo muito bem o papel de um pai protetor e experiente, cuja personagem representava a marca conservadora e crítica do sistema, mostrando ter bastante conteúdo como consequencia de tanto esforço em manter a condição familiar. “Suporte isso por um ou dois anos e será um homem.” Ou seja, o peso de uma boa vida, a responsabilidade que isso exige é tratado como valor de todos, como irrefutáveis, mesmo que algumas vezes devemos fazer o que não gostamos. Achei a comicidade em “Cerný Petr” (título na República Tcheca) um pouco parecida com a de “Os Amores de Uma Loira”, segundo longa-metragem do Milos Forman, embora aqui beire um pouco uma engraçada insanidade, a cena do “Oi” é uma das melhores e mais hilárias do filme. Sinceramente, nem tem muita comparação entre ambos em qualidade, mesmo tendo bases semelhantes.




  Esqueça a denotação racista que o título leva a entender, pois o sentido é outro nesse bom trabalho. Ainda na época da Nouvelle Vague, movimento de bastante relevância ao Cinema, “Pedro, O Negro” mantém as graças de sua burlesquidade e suave, disfarçada crítica social. O final é curioso ao extremo, dá força a uma pergunta que estagnava a geração, deixando sem resposta até mesmo os mais atentos. A película granjeou o galardão de Melhor Filme no Festival Internacional de Locano (Suíça) em 1964 e o cineasta ganhou como Melhor Diretor Estrangeiro no Jussi Awards (Finlândia) em 1967. Um bom filme e merece ser conferido.

Resultado: Bom à Excelente!

4 de dez de 2011

Os Amores de Uma Loira (1965)

Título Original: Lásky jedné plavovlásky
Ano: 1965
País: República Tcheca
Diretor: Milos Forman
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Elenco:
Josef Sebánek (Pai da Milda)
Hana Brejchová (Andula)
Vladimír Pucholt (Milda)
Vladimír Mensík (Vacovský)
Ivan Kheil (Manas)
Milada Jezková (Mãe da Milda)
Josef Kolb (Pokorný)
Marie Salacová (Marie)
Jana Novaková (Jana)
Jarka Crkalová (Jaruska)
Tána Zalinková (Girl)
Zdena Lorencová (Zdena)
Jan Vostrcil (Colonel)
Jirí Hrubý (Burda)
Antonín Blazejovský (Tonda)


Opinião:

  Singelo, recreativo censor, agradável e desculpem pela expressão melosa frívola, muito gostoso de assistir. “Os Amores de Uma Loira” foi a obra que deixou conhecido no exterior o cineasta Milos Forman, autor do aclamado “Um Estranho no Ninho”, inclusive com esse seu aparente segundo longa-metragem, foi indicado a Oscar como Melhor Filme Estrangeiro em 1967. Os anteriores trabalhos do diretor são duvidosos, não pela qualidade, mas por serem desconhecidos, como "Lanterna magika II" e "Audition", bastante difíceis de serem encontrados em circulação, uma pena para quem aspira sondar a fundo o talento do Forman. Aliás, "Pedro, O Negro" é de 1964 e encontra-se disponível em Torrent.


  O bom de assistir fitas sem ler sinopse é que aumenta as chances de imprevisibilidade, passa a compreendê-las com alvura, avaliar como propriamente são, sem falsos julgamentos. Um filme que desde o começo e alguns minutos, nada promete, chegando a ser um tanto monótono e desencorajador, porventura pela música, que parecia ilustrar, talvez propositalmente, a candidez, fragilidade acolhedora e tédio da época. Entretanto, as coisas ganham rumo surpreendentemente agradável, cômico, crítico e envolvente, fazendo questão de tratar cada camada como complemento, que se desenvolve aos poucos, nos fazendo rir pela singeleza e familiaridade que cada uma delas apresenta, um sutil convite ao intercâmbio dos espectadores, cujo diálogo humorístico e inteligente nos mantêm descontraídos em todo o seu percurso. A premissa informal também serve como base para zombar, mesmo que levemente, o ritmo de vida das mulheres na República Tcheca, em Praga. Numa fase em que elas eram em quantidade enorme para cada homem e viviam aflitas pela busca do rapaz certo, como é bem patente, várias seguiam deprimidas por não terem sucesso no casamento. Alguns homens reconheciam essa situação e buscavam tirar proveito, principalmente das mais jovens e das mais carentes. Outro detalhe que me chamou a atenção foram as cenas de nudez, achei bastante expressivas para o tempo, inclusive nessas cenas criaram em mim um considerável desdém pela protagonista. Bom, assistam e vocês saberão.




  “Os Amores de Uma Loira” vale a pena ser visto por todas essas razões citadas. O final é lindo e com uma trilha que com certeza todos vocês já ouviram em algum lugar, representando muito bem o lúgubre do estado da mulher em função de um homem, tediosamente oxigenado.

Resultado: Excelente!

2 de dez de 2011

Sonho (2008)

Título Original: Bi-Mong
Ano: 2008
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Romance
Elenco:
Joe Odagiri (Jin)
Na-yeong Lee (Ran)
Mi-hie Jang (Doctor)
Kim Tae-Hyeon (Ran's ex-lover)
Ji-a Park (Jin's ex-lover)


Opinião:


  Um maravilhoso filme do início ao fim, a acuidade desse trabalho é bastante curiosa e agradável de acompanhar, entra-se em um céu nebuloso onírico que causa uma leve aflição em seu seguimento e também, conforto.


  Agora tentando explicar as raízes desses galanteios, “Sonho” é um tipo de filme interessante que ilustra a nossa ficção íntima, presente e em alguma dimensão, vero. Nos complementando no sentido de reconhecimento próximo em situações analógicas (até mesmo em condições de produção), sendo brevemente previsível e em tempo idêntico muito alheado dos clichês, aliás, termo esse que foi aplicado de maneira irresponsável, pois sua modelagem não é característica como a maioria. O previsível aqui (outra irresponsabilidade) não é sobre o desfecho em geral, no entanto, o antedizer ou imaginar caminhos de uma atmosfera sendo previamente criada, brincando com agrado à nossa perspectiva por tais convivências, a cadência é trabalhada com maestria por exibir o que foi citado, apresentar miudezas que aos poucos se tornam grandiosas, gerando vários níveis de glosas em possibilidades individuais. Mas todo esse amoroso passa a ficar cada vez mais sombrio, pungente; começa a penetrar em uma proporção nonsense e metafórica, nos deixando confusos entre crível e quimera, tudo isso sem frenesi pretensiosa, típica desses estilos de roteiros. “Bi-Mong” (no original coreano) é a artística junção de fantasia contemplativa e simplicidade, entretanto, ainda assim consegue confundir nosso entendimento em seu calmo desenrolar. A trilha sonora parece ser o próprio conceito ludibrioso dos sonhos, envolvente, hipnótica; nos prega curiosos até o seu término. Destaco o desempenho do ator Joe Odagiri fazendo a personagem Jin, não tenho certeza, mas li em alguns comentários que durante a fita ele falava japonês e o restante, coreano; não dá para estranhar porque tudo é feito com muita lidimidade e também acho o idioma coreano bem parecido com o do Japão, como não entendo o sotaque de nenhum dos dois, passei batido. Enfim, achei isso interessante. A atriz Ji-a Park também está ótima em um papel de delírio, mas não marca, talvez porque ela ficou muito no secundário e afigurava-se mais ao início de insanidade da Ran, feita pela Na-yeong Lee. Gostei igualmente da Ji-a em outros trabalhos do diretor, como “Fôlego” e mormente em “The Coast Guard”. Segundo as revelações, Na-yeong quase morre numa cena do final, o que deixou o autor muito deprimido, parece que isso é contado em “Arirang”.




  Quero relatar também que com “Sonho” termino de completar toda a filmografia de Kim Ki-duk (15 filmes), ele já lançou mais dois neste ano (Amen e Arirang), mas infelizmente ainda não está disponível para Download. Afirmo que foi uma experiência surreal e gratificante conhecer a obra dele. Todas as películas de Ki-duk abordam muito os sofrimentos humanos, extremistas, suicídos, as mulheres em situações desconcertantes, as metáforas e com beleza tocante. É um verdadeiro artista, especialista nos conflitos e compositor das cenas mais voluptuosas venéreas, não é nenhum Tinto Brass, mas também merece ser enfatizado nesse quesito. Ki-duk Kim é um de meus cinegrafistas joeirados e “Sonho” ocupa meu TOP 3 de sua filmografia.

Resultado: Excelente!


Assista ao Trailer: