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2 de dez. de 2011

Sonho (2008)

Título Original: Bi-Mong
Ano: 2008
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Romance
Elenco:
Joe Odagiri (Jin)
Na-yeong Lee (Ran)
Mi-hie Jang (Doctor)
Kim Tae-Hyeon (Ran's ex-lover)
Ji-a Park (Jin's ex-lover)


Opinião:


  Um maravilhoso filme do início ao fim, a acuidade desse trabalho é bastante curiosa e agradável de acompanhar, entra-se em um céu nebuloso onírico que causa uma leve aflição em seu seguimento e também, conforto.


  Agora tentando explicar as raízes desses galanteios, “Sonho” é um tipo de filme interessante que ilustra a nossa ficção íntima, presente e em alguma dimensão, vero. Nos complementando no sentido de reconhecimento próximo em situações analógicas (até mesmo em condições de produção), sendo brevemente previsível e em tempo idêntico muito alheado dos clichês, aliás, termo esse que foi aplicado de maneira irresponsável, pois sua modelagem não é característica como a maioria. O previsível aqui (outra irresponsabilidade) não é sobre o desfecho em geral, no entanto, o antedizer ou imaginar caminhos de uma atmosfera sendo previamente criada, brincando com agrado à nossa perspectiva por tais convivências, a cadência é trabalhada com maestria por exibir o que foi citado, apresentar miudezas que aos poucos se tornam grandiosas, gerando vários níveis de glosas em possibilidades individuais. Mas todo esse amoroso passa a ficar cada vez mais sombrio, pungente; começa a penetrar em uma proporção nonsense e metafórica, nos deixando confusos entre crível e quimera, tudo isso sem frenesi pretensiosa, típica desses estilos de roteiros. “Bi-Mong” (no original coreano) é a artística junção de fantasia contemplativa e simplicidade, entretanto, ainda assim consegue confundir nosso entendimento em seu calmo desenrolar. A trilha sonora parece ser o próprio conceito ludibrioso dos sonhos, envolvente, hipnótica; nos prega curiosos até o seu término. Destaco o desempenho do ator Joe Odagiri fazendo a personagem Jin, não tenho certeza, mas li em alguns comentários que durante a fita ele falava japonês e o restante, coreano; não dá para estranhar porque tudo é feito com muita lidimidade e também acho o idioma coreano bem parecido com o do Japão, como não entendo o sotaque de nenhum dos dois, passei batido. Enfim, achei isso interessante. A atriz Ji-a Park também está ótima em um papel de delírio, mas não marca, talvez porque ela ficou muito no secundário e afigurava-se mais ao início de insanidade da Ran, feita pela Na-yeong Lee. Gostei igualmente da Ji-a em outros trabalhos do diretor, como “Fôlego” e mormente em “The Coast Guard”. Segundo as revelações, Na-yeong quase morre numa cena do final, o que deixou o autor muito deprimido, parece que isso é contado em “Arirang”.




  Quero relatar também que com “Sonho” termino de completar toda a filmografia de Kim Ki-duk (15 filmes), ele já lançou mais dois neste ano (Amen e Arirang), mas infelizmente ainda não está disponível para Download. Afirmo que foi uma experiência surreal e gratificante conhecer a obra dele. Todas as películas de Ki-duk abordam muito os sofrimentos humanos, extremistas, suicídos, as mulheres em situações desconcertantes, as metáforas e com beleza tocante. É um verdadeiro artista, especialista nos conflitos e compositor das cenas mais voluptuosas venéreas, não é nenhum Tinto Brass, mas também merece ser enfatizado nesse quesito. Ki-duk Kim é um de meus cinegrafistas joeirados e “Sonho” ocupa meu TOP 3 de sua filmografia.

Resultado: Excelente!


Assista ao Trailer:




29 de nov. de 2011

Fôlego (2007)

Título Original: Soom
Ano: 2007
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Ji-a Park (Yeon)
Chen Chang (Jang Jin)
Jung-woo Ha (Husband)
Ki-duk Kim


Opinião:

  Apesar do enlevo e simplicidade, é compreensível quando alguém diz que esse filme parece não ter nexo, não ter aderência que dite significado ou talvez a atmosfera em cena seja tão extrema, tão rara, que dificilmente emocione por comungação, envolvendo a si próprio. E para sentir emoção é preciso entender, mesmo que seja inconsciente. Bom, me emocionei, mas tenho arrufo em expressar com palavras.

  Aliás, palavras parecem ter quase nenhum sentido aqui, a precisão das perspectivas, gestos, laconismos, já fala por si só e com muito mais esmero, mesmo deixando várias lacunas que a obra não faz a menor questão de explicar, seu entendimento está implícito e nós é que devemos desbravar. Tais lacunas referem-se a ausência de explicações sobre as origens e motivações das personagens, dando a entender que nós pegamos a trama já construída. Tudo isso só acrescenta em melhor ao filme, pois é sempre ótimo apreciar um trabalho distante dos protótipos. Exótico, uma obra que tem como plano de fundo o sentimento existêncial, mas parece ser tão desprovido disso porque falta familiaridade com o que é apresentado e a gente vai construindo aos poucos essa conexão. O ótimo de “Fôlego” é que o enredo parece ficar unido e flutuante em tempo idêntico, Yeon e Jang Jin demonstravam se conhecer há vários anos, todavia, a premissa mostra que eles nunca se viram (que é duvidoso). Yeon estava em crise e viveu uma extraordinária experiência na infância (que descreve o título da fita em seu tino literal e figurado), por alguma razão, perdeu o rumo e precisava reencontrar um sentido para sobreviver, durante um momento de “abrir de portas”, fez uma coligação emocional com o criminoso Jang Jin, cuja notícia passava em uma reportagem. Jang Jin, pelo visto, era bastante famoso pela malfeitoria cometida (tipo um Alexandre Nardoni aqui no Brasil) e o mistério de sua personalidade continua instigante até o final do filme. Agora o que fica perspícuo, de fato, é esse vazio existencial que ambos compartilhavam, usando um ao outro como último suspiro, último fôlego. Vazio esse que também é passado ao espectador pelos azos citados acima.




  A participação do diretor como personagem foi bastante emblemática e até, quem sabe, hierárquica. A figuração teve muito haver com a imagem de um cineasta, aquele que controla tudo, o chefão de seus desfechos. Enfim, um bom filme que ainda mantém a proposta simbólica de Kim Ki-duk. Ainda não recomendo com entusiasmo, talvez se rever, o fruto será mais gratificante para mim.

Resultado: Bom à Excelente!


Assista ao Trailer: 






27 de nov. de 2011

The Coast Guard (2002)

Título Original: Hae Anseon
Ano: 2002
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Ação, Drama
Elenco:
Dong-Gun Jang (Kang Sang-byeong)
Ji-a Park (Mi-yeong )
Hye-jin Yu (Cheol-gu )
Jeong-hak Kim (Kim Sang-byeong)


Opinião:

  De uma quimera máscula, varonil, pela fátua e inocente ideia de honra influenciada pelos papos de exército, um soldado mais dedicado que os outros, camba em flagelo. A queda é irreversível.

  O filme mostra isso de uma maneira emocionante, com poucos talhos de culminância e trilha sonora belíssima, pela mesclagem de agrura, delgadeza, alvura e candidez. Sem esquecer do lado sórdido e violento. A fusão de tudo isso com a personagem principal e uma outra também afetada pela tragédia, é desoladora e capaz de ser envolvente por tratar de sentimentos comuns e bojos, que vão de um extremo à outro, como inocência e perca, amor e ódio, sonho e decadência. Deixando manifesto que o filme não se sente obrigado a tratar todos esses assuntos com abissalidade, mas contar uma história com força maior no sentimento de culpa, algo que a obra teve a sabedoria de causar um interessante embate entre o cumprimento do dever de um soldado, o cataclismo do povo local e a reflexão de todas essas consequências direcionadas à ele (o herói causador). A fita mostra ainda mais que não saber administrar esses assuntos, não ser diretor de si mesmo, tem negativações celsas para o ser humano, caso o mesmo caia em desgraça. 


  Não considerei os civis propriamente vítimas, pois abusam e subestimam demais a força militar dessa península, por essa razão eles são os genuínos culpados, entretanto, o filme consegue provocar este dilema de interrogar as autoridades coreanas, como manter a vigia noturna contra os espiões (que ostensivelmente nem mais existem) e assassinar apenas para ser condecorado e licenciado, mesmo sabendo que são civis que invadiram a área; a partir daí a gente consegue ver um lado pusilânime e corrupto por parte da ordenança, dando margem à críticas, um bom equilíbrio entre ambos os lados. Seguindo uma rota simples e passando aos poucos à uma vereda cada vez mais complicada, causando até suspeita de um delírio coletivo surgido pelo trauma do acontecimento; nem vou me aventurar a resenhar essa parte porque viajei um pouco ou o filme deixa isso em aberto pela sofisticação do roteiro e direção. Ótimos empenhos também do ator Dong-Gun Jang e atriz Ji-a Park, os principais do longa.



  Entendido como o mais fraco filme de Kim Ki-duk por alguns, classificação que, de fato, não compreendi e não concordo nem um pouco. Achei ótimo, envolvente e com um final muito sensível, adregando que dá para fazer belos dramas com histórias de exército, embora a beleza aqui seja nada esperançosa.

Resultado: Excelente!

Assista ao Trailer: 




24 de nov. de 2011

Real Fiction (2000)

Título Original: Shilje sanghwang
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Thriller
Elenco:
Jin-mo Ju
Min-seok Son
Hyeong-seong Jang


Opinião:

  Decisão clara em mostrar um indivíduo jovem, lacônico, artista e com graves problemas sentimentais, que para o próprio são mais relevantes, influentes e dominadores que as opressões da sociedade, onde apanha sem reagir, sofre calado, parecendo criar inconscientemente uma carapaça emocional e se afundando cada vez mais nela, protegendo-se em sua arte; até que um dia tudo muda, devido a um momento catártico (beirando alucinógeno), pondo em prática o seu insano escarmento contra os que o humilharam. Sua condição letárgica chega ao fim, embora ainda traga muito mofo.

  O título “Real Fiction” tem sua construção logo no início, com patente baixo orçamento e falta de definição no modo em que a câmera é trabalhada, dando aquela impressão de “reality” ou de uma produção caseira, real. A locação na praça assemelha não ter sido previamente preparada ao filme, pessoas passam, param e olham curiosas, mormente para a personagem principal. Tem uma cena que um casal interrompe a tranquila caminhada e fica no centro da filmagem até que um assistente (ou o próprio diretor, porque não dava para saber, teve todo o cuidado de não exibir o rosto) dos bastidores resolve afastar educadamente os “pombinhos”. Todos esses detalhes notórios só reforçam ainda mais a sensação de improviso, amador e real; pode ser que todo o povo na praça seja parte da produção, mas é nítido esse proposital. Desnecessário dizer que a ficção aqui é a fita em debate, porém, o filme se utiliza de outro elemento para destacar essa ideia, um recurso de “reality show”, um mero ser com caractéristicas de um derrotado sendo em algumas situações, filmado secundariamente, tratando a vida dele como um jogo, tese para estudo, uma ficção funesta ou metáfora de sua reflexão e delírio. O final dita ainda mais essa afirmação, resultado bem curioso e estranho, podendo não agradar a todos, todavia, é de uma abalroada recreativa que eleva ainda mais o sentido, apreciei muito a proposta.


  Falando em agrado, alguns papéis de Kim Ki-duk demonstram não ter psicologia de causa e efeito ou possui alguma pouco investigada, não é o caso de “Real Fiction”, pois a vingança, inclinação corriqueira, tem sua causa estudada por meios ambíguos, até um ponto em seu desenrolar que a gente já não sabe o que é verídico e patranha, mesclando com a simplicidade desse bom filme, entretanto, de difícil agrado. Porventura, o que pesa negativamente nessa obra é o talho da culminância, mesmo rendendo uma leve expectativa da vendeta, o que é apresentado antes dela talvez canse alguns.


  Resultado: Bom.


Torrent: http://www.kat.ph/real-fiction-2000-fs-dvdrip-divx-repivx-t149247.html
Legenda (do Legendas.TV, é preciso está logado): http://legendas.tv/info.php?d=aaa0b380ab52c478edad6d786185b8d9

22 de nov. de 2011

A Ilha (2000)

Título Original: Seom
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama, Romance, Thriller
Elenco:
Seo Jung (Hee-Jin)
Yu-seok Kim (Hyun-Shik)
Sung-hee Park (Eun-A)
Jo Jae Hyeon (Mang-Chee)
Hang-Seon Jang (Homem de meia idade)
Kim Yeo Jin
Won Seo

Opinião:

  A estória parece ser contada pelos ares do lugar exótico e claustrofóbico onde tudo é sereno, instintivo. Os traumas das personagens principais compõem ritmo ao filme, encontrando-se e complementando-se, gerando conforto mútuo, só que mais tarde, todo esse início harmônico é rompido, tendência dos complexos amorosos. Uma dolorosa história de amor que vai além de isolamentos, de quebras e consertos, de idas e retornos; uma exibição do ser humano em circunstâncias extremistas.

  Aliás, “história de amor” é só um clichê de argumentação, porque em nenhum momento a película assume isso, ambos mantêm contato para suas saciações carnais e como itinerário para libertar “a ilha” dentro de si. Embora em algumas situações a mulher revele paixão por um homem que lhe sensibilizou, viu nele a cura para sua moléstia, seu aval e descanso. Ela é a genuína ilha que se calou para o mundo por alguma razão não explicada na fita, cujo entendo como ponto forte do filme, nos possibilitando uma série de conclusões em todo esse clima estranho, metafórico,quintessencial, violento. Ela vislumbrava nele toda sua companhia “íntima-familiar” e estava disposta a tudo para mantê-lo ao seu lado, a carência e o ciúme transparecendo em formas mortalmente terríficas, utilizando-se de chantagens até mesmo autodestrutivas.


  No elenco me chamou atenção o ator Jo Jae Hyeon, o mesmo de “Crocodilo”, “Wild Animals” e “Bad Guy”, um ótimo ator que infelizmente teve uma participação muito curta. “O Bordel do Lago”, outro título nacional desse mesmo filme, também é conhecido pela sua violência crua com os animais, que mesmo sendo normalmente comestíveis, em Cinema ganha uma proporção mais cruel e polêmica.

  Resultado: Bom.

Wild Animals (1997)

Título Original: Yasaeng dongmul
Ano: 1997
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Cheong-hae)
Sasha Rucavina (Corrine)
Richard Bohringer (Boss)
Denis Lavant (Emil)

Opinião:
  Assim como “Crocodilo”, “Animais Selvagens” é outro digno do título, pois a agressividade é elemento presente em quase todas as cenas, até lances de sexo em que o autor sempre faz questão de exibir.

  Nota-se que nesses filmes antigos do Ki-duk, faziam bastante uso da violência (mormente com as mulheres) sem uma aparente preocupação em estudá-la, dando aquela impressão de apenas apresentar fatos (ferinos), um atrás do outro, numa sucessão dinâmica de acontecimentos, ganhando muita ação, mas perdendo em conteúdo. Tudo isso cria uma barreira dimensional nos impedindo o envolvimento íntegro com as personagens, em situações insólitas, no entanto, se pensar bem, são altamente identificáveis. Isso mesmo, Kim Ki-duk consegue formular atmosferas esdrúxulas que mesmo assim nos identificamos. São filmes frios, secos e com uma lancinância (quem sabe até gratuita) veemente, no entanto, quando chegam a um clímax, conseguem emocionar estranhamente, em momentos tocantes, sem usar pieguices, mesmo que essas situações não fiquem convincentes, passando despercebidas. “Wild Animals” segue um caminho parecido com esse, um filme violento, entretanto, soa superficial por não haver uma análise mais profunda dessa pungência ou do ser humano em condições precárias, ficando tudo meio raso.


  Se o diretor tivesse a mesma habilidade que tem hoje em dia, “Wild Animals” e alguns de seus outros antigos trabalhos estariam em um nível muito mais respeitoso. Ainda continuo com a proposta de refilmagem pelo próprio autor, corrigindo falhas, principalmente técnicas.

Resultado: Regular à Bom.

Torrent: http://isohunt.com/torrent_details/49611392/?tab=summary
Legenda: http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3159595/yasaeng-dongmul-bohoguyeog-pb

12 de nov. de 2011

Crocodilo (1996)

Título Original: Ag-o
Ano: 1996
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Crocodilo)
Ahn Jae-hong
Mu-song Jeon
Opinião:

  Sabia que os crocodilos também podem ser gentis? Crocodilo é um bicho da família “crocodylidae”, habita nas terras de rio quase opaco na Ásia, África, América do Sul e Norte. Irreverente, temperamento feroz e lancinante. A semelhança do original e do bicho-homem é notória, vivendo à espreita e em situações críticas, como um predador que vai à caça, vai em busca daquilo que lhe é útil, fera egoísta. Se o autor do filme é um escárnio crítico da condição feminina na Coreia do Sul, aqui ele deixa claro que a presa do homem é a mulher, cujo sente prazer em devorá-la pungentemente e quando a mesma se entrega, se conforma, ele parece perder o interesse; a resistência é um afrodisíaco.

  Aos poucos o filme chega a um clímax leve de emoção (embora não afirme esse intento). Crocodilo-Homem muda, passa a se harmonizar com seus parceiros, reconhece que é tudo que tem. Enfim, o amor parece ter assaltado o coração desse marginal, algo que nunca sentiu antes, tornando o crocodilo manso, sendo gentil pela primeira vez (?); mas infelizmente as coisas andam belicosas, bem no momento mais importante de sua vida. O final é apnético! 


  Pelo visível baixo orçamento, a parte técnica da película não agrada, tornando o filme exaustívo de acompanhar. Entretanto, com as impressões já citadas, Kim Ki-duk começa bem com sua carreira de realizador. Seria nada mau se o autor fizesse uma refilmagem de seu trabalho inicial, com os mesmos atores (menos o menino, né? ^_^) e suas qualidades atuais de Diretor, porque a ideia do filme é ótima! Tente imaginar o contemporâneo Kim com o enredo de “Crocodilo”. Não seria arrasador?

SPOILER

Crocodilo diz: "Esses barquinhos só me fazem lembrar de quão minha vida é miserável!" Eram porque faziam lembrar a infância dele ou representavam um sonho que nunca era realizado? Curioso a cena que ele pega uma tartaruga e pinta o casco de azul, olha para o garoto e joga no rio, como se fosse um barquinho em direção ao mar, um sonho lançado. O triste é que no fim a tartaruga continua no mesmo lugar.


Resultado: De Regular à Bom.


Torrent: http://www.kat.ph/crocodile-a-go-1996-kim-ki-duk-t488620.html





10 de nov. de 2011

Birdcage Inn (1998)

Título Original: Paran Daemun
Ano: 1998
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Ji-Eun Lim (Jin-a)
Hae-eun-Lee (Hye-mi)
Jae-mo Ahn (Hyun-woo)
Hyeong-qi Jeong (Gecko)
Min-seok Son (Jin-ho)


Opinião:

  Beleza extravagante, violência, sentimentos comuns e especiais. Mesmo com suas diferenças notáveis, ambas as personagens lembram aquelas pinturas abstratas e impressionistas, contrastando com os traços bem definidos e atiçando os instintos (talvez ou com certeza até libidinosos).


  Agressão que submete e discrimina, aborda sempre a mulher em condições terríveis, conversa coloquialmente com os preconceitos. Podemos nos incomodar, mas expõe o asco de conviver, porventura, com uma pessoa que vende o corpo, como se exalasse sujeira ou moléstia por toda parte. Em “Birdcage Inn” isso é tocantemente oposto, pois tal ser vivo é de uma delicadeza, humildade inspiradora; sem contar com sua aura artística, ilustrada com talento pelo lápis, infelizmente desdenhada por todos.


  É marcante a apologia ao amor que nasce de um longo conflito, de uma comprida série de intrigas, como se fossem testes que se provam o crível. Duas figuras distintas, mas próximas em alguns pontos familiares. Uma se conserva virgem, pura, limpa (enfatiza-se o valor da virgindade feminina), enquanto aparenta ser mais mórbida que a meretriz, cuja intimidade está em constante invasão. Entretanto, as duas tem surtos de suas características contrárias, a amarga em alguns momentos consegue ser tão doce e vice-versa. A harmonia é finalmente conquistada em seu decorrer, gerando alguns detalhes curiosos, principalmente o final, deixando uma interpretação a mais para os perversos.


  Um belo filme de uma grande amizade em seu pleno nascimento.

Resultado: De Bom à Excelente!

Torrent e Legenda: http://aprivadacult.blogspot.com/2011/03/paran-daemun-aka-birdcage-inn.html?zx=ada800c00d78dcb2

6 de nov. de 2011

Samaritana (2004)

                                                                      
Título Original: Samaria
Ano: 2004
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Yeo-reum Han (Jae-yeong (como Min-jeong Seo))
Oh Young (Músico)
Kwon Hyun-Min (Marinheiro)
Eol Lee (Yeong-ki)
Kwak Ji Min (Yeo-jin)

Opinião:
  Entre causa, efeito e reflexão, “Samaritana” mostra com excelência que a disciplina, compreensão e silêncio são os melhores ingredientes para modelar o espírito de uma pessoa, tendo consequências produtivas no comportamento. Não adianta dá murro em ponta de faca! Gritos ou semelhantes só ferem os ramos, a raiz estar em um ponto mais inacessível.


  “Vasumitra”, de um desejo que leva a entrega gratuita do corpo; “Samaria” (título), da redenção que vai ao refletir sobre as ações e finalmente “Sonata”, o som melodioso e lúgubre, renova a alma, drena as impurezas e mostra um novo caminho a seguir. A fase sonhadora dos adolescentes, esse instinto aventureiro que não mede atitudes para conseguir o que designa, que transparece força e fragilidade em tempo idêntico, é sórdida e pueril. O pai viúvo vendo sua única filha nas peripécias do caótico mundo é como se o próprio acabasse sobre ele, e o que mais marca é seu aval sólido diante dessa tempestade. Ele a ensina com mensagens silentes que arrepiam a pele, parece que a todo momento vai explodir, mas surpreende pelo seu exemplar amor, privando-a de um sofrimento maior. O filme aborda um conteúdo muito tocante e de soberba importância. 


  Por essas e outras razões, o cineasta sul-coreano acerta mais uma vez nessa grande obra. O final é de uma frieza terrível e pode desagradar muita gente, pois fica aquele “gostinho” de quero mais. Bastante recomendado para os pais, mormente aqueles que tiveram problemas com seus filhos.


Resultado: Excelente!


Torrent: http://www.kat.ph/samaria-2004-dvdrip-divx-ac3-mong-t150556.html#
Legenda: http://www.opensubtitles.org/pt/subtitles/3095728/samaria-pb

5 de nov. de 2011

Bad Guy (2001)

Título Original: Nabbeun namja 
Ano: 2001
País: Coreia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Jo Jae Hyeon (Han-ki)
Won Seo (Sun-hwa)
Kim Yun-Tae (Yun-tae)
Deok-Mun Choi (Myeong-su)
Choi Yoon Young (Hyun-ja)
Yoo-Jin Shin (Min-jung)
Jung-young Kim (I) (Eun-hye)
Nam Goong Min (Hyun-su)

Opinião:

Poderosíssimo!

A obra não deixa seu sentido claro ou parece não fazer questão disso, gerando algumas margens de interpretações que possam fugir de sua real intenção. Uma das principais forças que conduz o longa está em seu início incomum e inesquecível, que dita toda a motivação do desfecho, ajudando a concluir uma cadeia de acontecimentos históricos marcados por algumas características, tudo com muita imundície. Mas acreditem, emociona.

Através de um homem com olhar maníaco e penetrante, uma inocente vida muda de um extremo ao outro. Com sua obsessão, ele assiste sua “cria” se transformar gradualmente, a pureza de uma vida se corromper até a última gota, sem o próprio usar táticas ferinas ou gritos, apenas sua “presa” cai em uma armadilha eterna de prisão, uma sádica lavagem cerebral.


Personagem esse que mantém seu mistério, nos deixando perplexos com seu singular comportamento, beirando de uma brutalidade aterradora à um ingênuo carente, suportanto dores do corpo e da alma, uma das personagens que mais vi levar porrada e sem reclamar. Talvez porque o seu estranho amor lhe fazia sentir-se culpado. De fato, um “bad guy”, um “tipo ruim”. Filme para ser revisto.

Resultado: Excelente!

3 de nov. de 2011

Endereço Desconhecido (2001)

Título Original: Suchwiin bulmyeong
Ano: 2001
País: Coréia do Sul
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco:
Dong-kun Yang
Min-jung Ban
Young-min Kim

Opinião:

 “Endereço Desconhecido” é um filme triste que mostra severamente a vida de pessoas apáticas que se entregaram ao sofrimento. Mesmo com algumas atitudes que buscam provar o contrário, elas mesmas não são persuasivas. Um clima frio e aspecto quase incolor, junto a acontecimentos trágicos, perversos, de indivíduos desalmados e sem esperanças, cujo valores nesses humanos têm inversões curiosas, com um fundo musical que traduz enfaticamente o ar melancólico dessa violenta história sem rumo, fazendo uma ligação com o título.

  A crítica ao comportamento do povo local e dos estrangeiros fica bem clara, desses modernos que realizam uma boa ação em troca do benefício próprio, de bens que não podem ser comprados, como amor e respeito. Critica o frágil com capa de bondade como o pior veneno da vida, como a lei da sobrevivência afirma. Ótimas presenças dos atores Yang Dong-kun (Oyama – O Lutador Lendário) e Young-min Kim (Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera), ambos estão marcantes.


  Kim Ki-duk parece conter as assimetrias maravilhosas de seu vanguardismo, não está tão ousado ou estranho como em seus outros trabalhos, aqui ele realiza um bom filme padrão ou normal. Quem conhece “Primavera, Verão...”, “Casa Vazia”, “Time” e principalmente “O Arco”, esperava ver mais uma de suas loucuras, de seus misticismos belos, intrigantes e nada convencionais. Em “Endereço Desconhecido” não existe aquela disformidade, anomalia própria de seu Cinema, gerando um encantamento sem explicações. Aqui ele não tem intenção disso, apenas a realidade nua, crua e visceralmente dolorosa.

  Aliás, existem sim algumas cenas com aquela missiva visual, típica de pinturas abstratas, dando para identificar o diretor nelas; porém, não tem aquela magia bizarra de alguns de seus outros trabalhos. Parece que esse filme é baseado em fatos reais, se for isso, então está certo mesmo em não usar muito de seu Universo.

Resultado: De Bom à Excelente!

31 de out. de 2011

Eu Vi o Diabo (2010)

Título Original: Akmareul Boatda
Ano: 2010
País: Coréia do Sul
Diretor: Jee-woon Kim
Gênero: Drama, Policial, Suspense, Thriller
Elenco:
Min-sik Choi (Kyung-Chul)
Oh San-ha (Joo-yeon)
In-seo Kim (Se-Jung)
Kim Yoon-seo (Se-yeon)
Gook-Hwan Jeon (Squad Chief Jang)
Byung Hun Lee (Kim Soo-hyeon)
Choi Moo-Sung (Tae-Joo)
Cheon Ho Jin (Section Chief Oh )

Opinião:

  A excelência do filme é justamente pela sua hiper-violência, ótimas atuações e bom enredo, embora simples. A forma como é dirigido prende a atenção do início ao fim, sem contar com uma apresentação metafórica no começo, desenhando uma caricatura digna do título.

  A matança sem moralismos, desregrada, é assustadora e mefistofélica. Os últimos suspiros, os detalhes do crime sendo mostrados, a desrespeitosa exploração do corpo humano, o paradoxo entre o externo e interno do físico, do semblante; o que antes era limpo, conservado e belo, agora esquartejado na imundície e jogado no lixo como porcaria. Tudo isso e mais explicam a força marcante e pungente que tem essa película.

  Choi Min-sik, o eterno Oh Dae-su do clássico “Oldboy”, só que mais experiente; demonstra talento enorme para papéis do tipo. Olhar concentrado, paranóico, velocidade nos movimentos, expressão "monstra" e pavorosa, gritos estridentes e um realismo no sofrimento, causam sensações chocantes. Já o Byung Hun Lee, que também trabalhou com Park Chan-wook em “Zona de Risco”, não deixa a desejar; sua aparência de galã entra em contraste com a dolorosa vingança da sua personagem, sua cólera reluz nos olhos, tornando impossível não ficar convincente. 

  O enredo é excelente porque é capaz de ter uma agressão apelativa sem perder rumo e simples por tratar um sentimento comum, a vingança e suas consequências, sem rodeios, indo direto ao ponto, bastando apenas sentar e apreciar o grande espetáculo. Apesar de tudo, “I Saw the Devil” não tem aquele ar “Cult” como a maioria dos filmes sul-coreanos, ele consegue ser acessível ao grande público, agradando a todos. Um ótimo e comercial filme.

Resultado: Excelente! 

30 de out. de 2011

Barking Dogs Never Bite (2000)

Título Original: Flandersui gae
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Bong Joon-ho
Gênero: Comédia
Elenco:
Sung-jae Lee (Ko Yun-Ju)
Bae Doo-Na (Park Hyun-Nam)
Byeon Hie-Bong (Apt. Maintenance Guy)
Roe-ha Kim (Shadow Man)
Kwon Hyeok-PungKo Su-Hee (Hyeon-Nam's friend)
Kim Jin-Goo (Grandmother with Chihuahua)
Kim Ho-Jung (Eun-Sil)

Opinião: 

“Flandersui gae” é um exemplo digno de filme com a obrigação de mostrar como as cenas foram feitas, exibir de forma nítida os bastidores, dando alívio por revelar os “cuidados” com os animais, pois o humor dessa produção não é para qualquer um, principalmente pela sua ideia repulsiva para nós ocidentais.
 Mesmo com a frase de início, servindo de efeito para nos preparar ao porvir, não tem força convincente, mas segura um pouco a barra. Singularidade é o que move a arte, mas também tem seu “limite”; caso oposto, os mais doentes obsessivos vão sair por aí fazendo atrocidades em prol do visceral, real ou único.

Fora essas críticas em proteção ao bem-estar animal, cujo filme pode servir e com certeza serve como crítica a essas atitudes, não no Cinema, mas na Vida, conquista o seu espaço. Humor negro, comicidade estranha, mefistofélica, ferino com um felino, que para alguns se compara ao prazer de ver um gato caçando um rato (venceu em Hong Kong, OK?). Uma obra que pode ser vista também como a apatia no cotidiano das pessoas é burlesca, perigosa e triste; sobre como a motivação que é compartilhada pela amada, muda a opinião de outrem, o que foi previamente odiado, hoje tolerado; essa foi uma das mensagens mais marcantes. 


Mais um bom e diferencial filme sul-coreano, dirigido por Bong Joon-ho, prestigiado por “Mother – A Busca Pela Verdade”, “Memórias de um Assassino” e “O Hospedeiro”; inclusive esse “The Host” venceu bilheterias, mas deixa a desejar em qualidade. 
SPOILER: Excelente e engraçada aquela cena que a Park Hyun-Nam decide salvar o cachorro do mendigo, ficou algo meio Jiraya quando ela amarra o capuz e ainda mais com o povão torcendo, preenchendo a imaginação heróica e sonhadora que tem essa personagem. Só ela gera grandes risos.

Resultado: Bom à Excelente!

28 de out. de 2011

O Hospedeiro (2006)

Título Original: Gwoemul
Ano: 2006
País: Japão, Coréia do Sul
Diretor: Bong Joon-ho
Gênero: Terror
Elenco: Song Kang-ho, Byeon Hie-bong, Park Hae-il, Bae Du-na

Opinião:
“Gwoemul”, filme sul-coreano, de Bong Joon-ho, tem seu início marcante e naqueles padrões das obras-primas asiáticas, dando muitas esperanças de ser mais um diferencial do gênero. Mas não se mantém no ritmo e perde quase tudo aquilo que conquistou, piorando ainda mais por ser do mesmo cineasta do excelente “Madeo”, cujo resultado é meio questionável.

Muitos falaram da crítica aos ianques, a política dominadora sobre a Coreia e a aceitação covarde do povo, porém, dá a entender é que, os críticos que levantam esses argumentos como pontos principais da película, parecem que não estavam vendo o monstro ou invertendo a intenção da obra. A ideia relevante de “O Hospedeiro” é entreter com mais um filme de monstros, que se difere em nada dos padronizados estadunidenses, nada mal, pois ninguém é obrigado a ser genial o tempo todo. Com certeza existe uma pimentada, que foi proposital, assim como existem em vários outros filmes, mas não passa de papel de parede ou plano de fundo. 

Difícil entender todo esse alvoroço da crítica acrescentando argumentos de plano de fundo à favor dessa obra, que simplesmente não passa de um bom e clichê filme do gênero, para quem gosta do estilo, cuja fórmula ainda produz efeito, “The Host” é uma excelente referência, um “blockbuster” oriental, de agrado ao povão. Destaque para a cena que surge a criatura, espantosa e inesquecível! Tem seus momentos de êxito, entretanto, deixa a desejar.


Em 1° Pessoa (pouco importa):

Esperava muito mais de “O Hospedeiro”, achei que seria aquele suspense sinistro, cujo título dá um pouco a entender, bem ao estilo sul-coreano, Cinema que vem me agradando bastante, por ser ainda mais do Bong Joon-ho, diretor de “Mother”. Inspirou-me é que muitos falaram maravilhas dele, que era uma obra-prima, mistura de gêneros (?), etc. Adorei a cena que a criatura aparece, sem aqueles clichês dos falsos sustos, de forma repentina e arrasadora, porém, não se sustentou e teve forte influência dos modelos Hollywoodianos. Acredito que o Bong quis lucrar e abandonou um pouco a qualidade de sua Escola. Todavia, longe de ser um filme ruim. Antes de ontem assisti “Acacia”, excelente terror de mesma nacionalidade, mau avaliado pela crítica. Enquanto “O Hospedeiro” é superestimado, que triste.
Enfatizo esta crítica, ela só é oposta a minha, mas é um bom comentário de quem gostou do filme: http://cineaocubo.blogspot.com/2009/06/o-hospedeiro-host-2007.html

Resultado: Regular.

26 de out. de 2011

Acacia (2003)

Título Original: Akasia
Ano: 2003
País: Coreia do Sul
Diretor: Ki-Hyeong Park
Gênero: Terror, Suspense
Elenco:
Shim Hye-jin
Jin-geun Kim
Oh-bin Mun
Opinião:
“Akasia” é um filme cujo terror e suspense são grandiosamente contemplativos e familiares, fazendo a quase todo momento um diálogo com o subconsciente e sendo preenchido pelo mesmo com sensações catárticas, interagindo com nossos instintos de tal maneira que, torna-se um trabalho muito austero tentar traduzí-la em palavras. Mas a gente tenta, mesmo balbuciando...

Outro ponto forte da fita é o elenco infantil, capaz de passar como quase nenhum adulto um idílio com o mistério ou algum sentimento parecido que faça essa ligação com as nossas raízes, perfeitamente ilustrada pela árvore Acácia, título da obra. O garoto órfão em uma crise existencial, mesmo através da frieza de seu rosto, deixa revelar sua carência, a necessidade pela sua raiz, buscando compensar isso na arte e em outro detalhe muito curioso, chamando a atenção de todos.

Com o término da película e um pouco de lucubração, podemos chegar a uma ideia de que durante a sua trama não houve eventos sobrenaturais. Entretanto, uma viagem na imaginação traumática das personagens, após um fatídico acontecimento, que é a grande surpresa do filme. Algo a mais foi puro capricho de uma excelente direção, que pega o aglomerado e ao fim exibe o crível, pedaço por pedaço, com requintes de genialidade.


O cinema sul-coreano vem mantendo a sua proposta com mais essa obra de qualidade, que foi injustamente maltratada pela crítica. Diante de tantos enlatados norte-americanos, cuja espécie suspense/terror está ameaçada de extinção, com suas mesmas e ultrapassadas fórmulas; um filme como “Acacia” ser mau recebido assim, ora, não passa de um crime cinéfilo e dos graves.

Resultado: Excelente!

25 de out. de 2011

Zona de Risco (2000)

Título Original: Gongdong gyeongbi guyeok JSA /ou/ Joint Security Area
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Park Chan-wook
Gênero: Ação, Suspense
Elenco:
Yeong-ae Lee (Maj. Sophie E. Jean)
Byung-hun Lee (Sgt. Lee Soo-hyeok)
Kang-ho Song (Sgt. Oh Kyeong-pil)
Tae-woo Kim (Nam Sung-shik)
Ha-Kyun Shin (Jeong Woo-jin)
Christoph Hofrichter (Maj. Gen. Bruno Botta)
Herbert Ulrich (Swedish soldier)

Opinião:
Após assistir, é visível a importância nacional que “Zona de Risco” tem para a Coreia e a razão do sucesso de Park Chan-wook, aqui ele mostra valentia em criticar um polêmico assunto político, a divisão da Coreia; até deixa transparecer a sua ideia de um regime arcaico. Começa muito bem, embora perigosa, a sua carreira de cineasta.
Para melhor entender o sentimento de reconciliação que esse filme transmite, é preciso se imaginar coreano e sonhar em ver novamente seu país unido, uma união para o bem de todos. Talvez o filme não tenha sido bem recebido pela sua qualidade cinematográfica, entretanto, pela sua presunção ideológica de paz, tanto da Coreia do Sul como a do Norte, algo que, sem dúvida, deve comover muito o povo local.


O ator Song Kang-ho (Mr. Vingança; Sede de Sangue) e a atriz Lee Yeong-Ae (Lady Vingança) estão ótimos, embora o inglês dela tenha ficado com um aparente esforço.
“Joint Security Area” por ter uma temática séria e realista, Chan-wook evita “brincadeiras”, porém, não entrega a história fácil. Mesmo com uma dinâmica calma, a não-linearidade cheia de “flashbacks” de uma cena-chave, servindo como ângulos distintos de um acontecimento que está sendo investigado, causam um clima enorme de suspense e de difícil compreensão, o espectador precisa ficar bastante atento e buscar suas conclusões, pois a película em si não responde. Como se não fosse o bastante, o final cutuca ainda mais a ferida. Um bom filme.

Resultado: Bom.

24 de out. de 2011

I'm a Cyborg, But That's OK (2006)

Título Original: Saibogujiman Kwenchana
Ano: 2006
País: Coréia do Sul
Diretor: Park Chan-wook
Gênero: Comédia Romântica
Elenco: Lim Su-Jeong, Rain, Choi Hie-Jin, Kim Byeong-Ok

Opinião:
Afirmar sobre a proposta de quem criou a obra sem antes conversar com o próprio ou saber em alguma entrevista, apenas por observar, é uma atitude audaciosa e arriscada. Considerar filmes tentando compreender o ponto de vista do autor, o “eu acho” ou “eu esperava que fosse” torna-se bastante vulgar e egoísta; esses sentimentos ficam superficiais e desconcertantes, pois não são amigos da verdade. Mas, o que de fato é opinião pessoal sobre um filme? Compreender Cinema com esse método obsessivo é perigoso para o prazer individual.

Park Chan-wook é um extrator de camadas, um parasito observador, ele penetra e vai extraindo pouco à pouco e nisso revela-se muitos detalhes, muitas linguagens figuradas, ora criando identificação, ora estranheza; junto a uma belíssima fotografia e atuações soberbas. Talvez esse seja o principal gênio do cineasta, o seu ponto mais forte. Porém, esses recursos podem não satisfazer a todos, pois são longos e detalhistas, causando uma confusão enorme. Entretanto, todos devem concordar em algo, suas maluquices são magistralmente geniais e únicas.


“I’m a Cyborg, But That’s Ok” é uma odisséia na imaginação de criaturas tão singulares, de pessoas que criaram para si um mundo paralelo, um mundo ao qual não existem limitações. Apesar do gênero “comédia romântica”, não dá muito bem para definir esse filme, muitos comentaram que fala de uma história de amor, todavia, não é bem o clima. Não dá para sentir que as personagens estão apaixonadas, apenas que criaram uma sincera, inocente amizade, mesmo com beijos ou sexo.

Resultado: De bom à excelente!

22 de out. de 2011

Time - O Amor Contra a Passagem do Tempo (2006)

Título Original: Shi Gan
Ano: 2006
País: Coréia do Sul, Japão
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco: Ha Jung-Woo, Park Ji-Yeon, Kim Sung-Min, Seo Yeong-Hwa

Opinião:
Pesquisando melhor sobre Kim Ki-duk, descobrimos que ele tem formação em pintura e que começou a se interessar por Cinema em Paris, onde morou por algum tempo e sobreviveu vendendo seus quadros. Eis uma informação bastante óbvia e que explica objetivamente a força que as imagens ganham nos filmes desse cineasta, ou seja, ele também entende da sétima arte sob outro ponto de vista artístico, além de ser o próprio roteirista de suas obras; participando no passado de alguns concursos de roteiro e sendo muito notório entre os candidatos.

Quem assistiu os anteriores de Ki-duk, como “Primavera, Verão...”, “Casa Vazia”, “O Arco” (inclusive esse que gerou uma grande controvérsia entre os críticos, que chegaram a questionar a sua qualidade de diretor), poderá sentir uma diferença na forma de conduzir a trama em “Shi Gan”, por ser um tanto menos incomum e mais agradável para a maioria, por ser mais tolerável e comercial que os outros.

Aliás, “comercial” não é bem a combinação certa para o Cinema anticonvencional do Kim, pois em “Time” ele mantêm as suas singularidades que o prestigiaram, mas também apresenta diferenças, versatilidade de sua parte. Exemplo simplório disso é a fusão do impacto visual com os diálogos agressivos das personagens principais, o que antes parecia menosprezar essa linguagem, em “Shi Gan” ele supervaloriza.
O doutor insiste, mas ela...

“Time” é uma crítica áspera a essas tendências da estética, dessas buscas exageradas pela perfeita simetria e em alguns momentos até acusa as instituições, porém, depois deixa claro que a culpa é das pessoas com atitudes impensadas e complexos mau resolvidos. Um filme que brinca magistralmente com a arte da “camuflagem”, com o semblante familiar que os asiáticos possuem, nos deixando tontos (Risos!). Existem vários outros detalhes para muitas interpretações. 

SPOILER: como as edições de “Casa Vazia”; o parque de obras para maiores de idade e sem dúvida a cena da “máscara”, simbolizando o “amor contra a passagem do tempo”, mostrando tocantemente e contraditória o desespero, enquanto chorava por trás da fantasia, por fora ria com cinismo e deformidade, surreal. Um trabalho imperdível.

Resultado: Excelente!

19 de out. de 2011

A Felicidade dos Katakuris (2001)

Título Original: Katakuri-ke no Kôfuku
Ano: 2001
País: Japão
Diretor: Takashi Miike
Gênero: Comédia, Terror, Musical
Elenco:
Kenji Sawada (Masao Katakuri)
Keiko Matsuzaka (Terue Katakuri)
Shinji Takeda (Masayuki Katakuri)
Naomi Nishida (Shizue Katakuri)
Kiyoshiro Imawano (Richâdo Sagawa)
Tetsurô Tanba (Ojîsan Jinpei Katakuri)
Naoto Takenaka (TV Reporter / Singer)
Tamaki Miyazaki (Yurie Katakuri)

Opinião:

É uma experiência incomum assistir “Katakuri-ke no Kôfuku”, esse singular filme alterna entre a comédia, horror, suspense, drama, musical e até animação “Stop-Motion” vai junto, tornando um trabalho totalmente fora dos arquétipos, indefinível. O Cinema Asiático com mais uma de suas excentricidades e o que impressiona também é a forma como a história é tratada, uma obra que consegue ser feia e bonita ao mesmo tempo , feia pelo seu horror “gore” e sinistro, a animação no começo já é a prova, porém, o efeito é paradoxal, pois elevou a qualidade do filme. A beleza dela é a mais patente, com toda certeza, a sua maravilhosa apologia a Felicidade, pois o filme é alegria pura, mesmo nos momentos mais difíceis.


Bastante agradável e revigorante conhecer “The Happiness of the Katakuris”, tanto pela sua bizarrice, comicidade (e põe humor nisso), mordibez (doentia) e também, o que não pode ser esquecido, sua parte musical contagiante; as canções são tão persuasivas que sentimos vontade de rever várias vezes durante a exibição, parecem aqueles desenhos da Disney que as personagens começam a cantar durante as situações do dia-a-dia, só que com uma graça propositalmente tosca e sarcástica, outro grande mérito, funcionando muito bem.

Um filme que com certeza merece ser conferido, mormente aquele que busca por coisas inconvencionais e criativas. Mas é preciso estar preparado, pois gostar ou desgostar geralmente é influenciado por estados emocionais, portanto, nunca veja películas com desorganização interior. Sabedoria pessoal!

Avaliação: Bom à Excelente!

6 de out. de 2011

O Arco (2005)

Título Original: Hwal
Ano: 2005
País: Coréia do Sul, Japão
Diretor: Kim Ki-duk.
Gênero: Drama
Elenco: Seong Hwan Jeon, Yeo-reum Han, Si-jeok Seo

Opinião:

Aos que não viram, podem ler esta crítica à vontade, pois não contém “Spoiler”.

Vejam “Hwal” sem ler a sinopse, a surpresa será maior. 

Kim Ki-duk e seus filmes distintos, estranhos e poéticos. “O Arco” é ousado, corajoso, desconcertante, incômodo, bizarro e a pessoa que assiste sente esse peso nas próprias costas, não pelas cenas fortes, porém, pelo tema que é tratado, ainda mais na atualidade que casos do tipo estão ocorrendo com frequência. O grande mérito do longa é a capacidade extrema de provocar essas sensações.

Só não é considerado o teor muito controverso porque o Kim sabe fazer filme com muita beleza e sensibilidade, um exercício musical e de poesia, um “cinema-arte” tocante. A trilha sonora, como já foi destacada pelos críticos, tem uma fusão despadronizada e arrepiante com as cenas, elevando ainda mais os sentimentos.


O desenrolar da história é de um total anticlímax, a gente deseja profundamente uma reconciliação heróica por parte do senhor homem, todavia, percebemos a pura realidade de um filme fora dos arquétipos, que possivelmente isso não aconteça, que possivelmente não nos agrade em termos de ideologia, mas nunca em termos cinematográficos, porque tudo é feito com muita dignidade e com massacrante diferencial.


A marca registrada do Kim é a sua fuga do tradicional, seu Cinema de Vanguarda é contraditório, quase nunca chega a um resultado esperado ou típico (desagradando muita gente, mas os que conquista, tornam-se leais seguidores), algumas cenas podem parecer desregradas ou exageradas, mesclando a realidade com o mítico, tornando o resultado inclassificável e surreal. Coisa de gênio! O seu Cinema chega próximo da missiva mágica (ou sobrenatural) da vida, batendo de frente com nossas afirmações céticas, científicas ou limitadas, sobre aquilo existir ou não, gerando um “nonsense” gritante, beirando do simples ao absurdo e resultando num dos trabalhos mais lindos já feitos.