31 de out. de 2011

Eu Vi o Diabo (2010)

Título Original: Akmareul Boatda
Ano: 2010
País: Coréia do Sul
Diretor: Jee-woon Kim
Gênero: Drama, Policial, Suspense, Thriller
Elenco:
Min-sik Choi (Kyung-Chul)
Oh San-ha (Joo-yeon)
In-seo Kim (Se-Jung)
Kim Yoon-seo (Se-yeon)
Gook-Hwan Jeon (Squad Chief Jang)
Byung Hun Lee (Kim Soo-hyeon)
Choi Moo-Sung (Tae-Joo)
Cheon Ho Jin (Section Chief Oh )

Opinião:

  A excelência do filme é justamente pela sua hiper-violência, ótimas atuações e bom enredo, embora simples. A forma como é dirigido prende a atenção do início ao fim, sem contar com uma apresentação metafórica no começo, desenhando uma caricatura digna do título.

  A matança sem moralismos, desregrada, é assustadora e mefistofélica. Os últimos suspiros, os detalhes do crime sendo mostrados, a desrespeitosa exploração do corpo humano, o paradoxo entre o externo e interno do físico, do semblante; o que antes era limpo, conservado e belo, agora esquartejado na imundície e jogado no lixo como porcaria. Tudo isso e mais explicam a força marcante e pungente que tem essa película.

  Choi Min-sik, o eterno Oh Dae-su do clássico “Oldboy”, só que mais experiente; demonstra talento enorme para papéis do tipo. Olhar concentrado, paranóico, velocidade nos movimentos, expressão "monstra" e pavorosa, gritos estridentes e um realismo no sofrimento, causam sensações chocantes. Já o Byung Hun Lee, que também trabalhou com Park Chan-wook em “Zona de Risco”, não deixa a desejar; sua aparência de galã entra em contraste com a dolorosa vingança da sua personagem, sua cólera reluz nos olhos, tornando impossível não ficar convincente. 

  O enredo é excelente porque é capaz de ter uma agressão apelativa sem perder rumo e simples por tratar um sentimento comum, a vingança e suas consequências, sem rodeios, indo direto ao ponto, bastando apenas sentar e apreciar o grande espetáculo. Apesar de tudo, “I Saw the Devil” não tem aquele ar “Cult” como a maioria dos filmes sul-coreanos, ele consegue ser acessível ao grande público, agradando a todos. Um ótimo e comercial filme.

Resultado: Excelente! 

30 de out. de 2011

Barking Dogs Never Bite (2000)

Título Original: Flandersui gae
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Bong Joon-ho
Gênero: Comédia
Elenco:
Sung-jae Lee (Ko Yun-Ju)
Bae Doo-Na (Park Hyun-Nam)
Byeon Hie-Bong (Apt. Maintenance Guy)
Roe-ha Kim (Shadow Man)
Kwon Hyeok-PungKo Su-Hee (Hyeon-Nam's friend)
Kim Jin-Goo (Grandmother with Chihuahua)
Kim Ho-Jung (Eun-Sil)

Opinião: 

“Flandersui gae” é um exemplo digno de filme com a obrigação de mostrar como as cenas foram feitas, exibir de forma nítida os bastidores, dando alívio por revelar os “cuidados” com os animais, pois o humor dessa produção não é para qualquer um, principalmente pela sua ideia repulsiva para nós ocidentais.
 Mesmo com a frase de início, servindo de efeito para nos preparar ao porvir, não tem força convincente, mas segura um pouco a barra. Singularidade é o que move a arte, mas também tem seu “limite”; caso oposto, os mais doentes obsessivos vão sair por aí fazendo atrocidades em prol do visceral, real ou único.

Fora essas críticas em proteção ao bem-estar animal, cujo filme pode servir e com certeza serve como crítica a essas atitudes, não no Cinema, mas na Vida, conquista o seu espaço. Humor negro, comicidade estranha, mefistofélica, ferino com um felino, que para alguns se compara ao prazer de ver um gato caçando um rato (venceu em Hong Kong, OK?). Uma obra que pode ser vista também como a apatia no cotidiano das pessoas é burlesca, perigosa e triste; sobre como a motivação que é compartilhada pela amada, muda a opinião de outrem, o que foi previamente odiado, hoje tolerado; essa foi uma das mensagens mais marcantes. 


Mais um bom e diferencial filme sul-coreano, dirigido por Bong Joon-ho, prestigiado por “Mother – A Busca Pela Verdade”, “Memórias de um Assassino” e “O Hospedeiro”; inclusive esse “The Host” venceu bilheterias, mas deixa a desejar em qualidade. 
SPOILER: Excelente e engraçada aquela cena que a Park Hyun-Nam decide salvar o cachorro do mendigo, ficou algo meio Jiraya quando ela amarra o capuz e ainda mais com o povão torcendo, preenchendo a imaginação heróica e sonhadora que tem essa personagem. Só ela gera grandes risos.

Resultado: Bom à Excelente!

28 de out. de 2011

O Hospedeiro (2006)

Título Original: Gwoemul
Ano: 2006
País: Japão, Coréia do Sul
Diretor: Bong Joon-ho
Gênero: Terror
Elenco: Song Kang-ho, Byeon Hie-bong, Park Hae-il, Bae Du-na

Opinião:
“Gwoemul”, filme sul-coreano, de Bong Joon-ho, tem seu início marcante e naqueles padrões das obras-primas asiáticas, dando muitas esperanças de ser mais um diferencial do gênero. Mas não se mantém no ritmo e perde quase tudo aquilo que conquistou, piorando ainda mais por ser do mesmo cineasta do excelente “Madeo”, cujo resultado é meio questionável.

Muitos falaram da crítica aos ianques, a política dominadora sobre a Coreia e a aceitação covarde do povo, porém, dá a entender é que, os críticos que levantam esses argumentos como pontos principais da película, parecem que não estavam vendo o monstro ou invertendo a intenção da obra. A ideia relevante de “O Hospedeiro” é entreter com mais um filme de monstros, que se difere em nada dos padronizados estadunidenses, nada mal, pois ninguém é obrigado a ser genial o tempo todo. Com certeza existe uma pimentada, que foi proposital, assim como existem em vários outros filmes, mas não passa de papel de parede ou plano de fundo. 

Difícil entender todo esse alvoroço da crítica acrescentando argumentos de plano de fundo à favor dessa obra, que simplesmente não passa de um bom e clichê filme do gênero, para quem gosta do estilo, cuja fórmula ainda produz efeito, “The Host” é uma excelente referência, um “blockbuster” oriental, de agrado ao povão. Destaque para a cena que surge a criatura, espantosa e inesquecível! Tem seus momentos de êxito, entretanto, deixa a desejar.


Em 1° Pessoa (pouco importa):

Esperava muito mais de “O Hospedeiro”, achei que seria aquele suspense sinistro, cujo título dá um pouco a entender, bem ao estilo sul-coreano, Cinema que vem me agradando bastante, por ser ainda mais do Bong Joon-ho, diretor de “Mother”. Inspirou-me é que muitos falaram maravilhas dele, que era uma obra-prima, mistura de gêneros (?), etc. Adorei a cena que a criatura aparece, sem aqueles clichês dos falsos sustos, de forma repentina e arrasadora, porém, não se sustentou e teve forte influência dos modelos Hollywoodianos. Acredito que o Bong quis lucrar e abandonou um pouco a qualidade de sua Escola. Todavia, longe de ser um filme ruim. Antes de ontem assisti “Acacia”, excelente terror de mesma nacionalidade, mau avaliado pela crítica. Enquanto “O Hospedeiro” é superestimado, que triste.
Enfatizo esta crítica, ela só é oposta a minha, mas é um bom comentário de quem gostou do filme: http://cineaocubo.blogspot.com/2009/06/o-hospedeiro-host-2007.html

Resultado: Regular.

26 de out. de 2011

Acacia (2003)

Título Original: Akasia
Ano: 2003
País: Coreia do Sul
Diretor: Ki-Hyeong Park
Gênero: Terror, Suspense
Elenco:
Shim Hye-jin
Jin-geun Kim
Oh-bin Mun
Opinião:
“Akasia” é um filme cujo terror e suspense são grandiosamente contemplativos e familiares, fazendo a quase todo momento um diálogo com o subconsciente e sendo preenchido pelo mesmo com sensações catárticas, interagindo com nossos instintos de tal maneira que, torna-se um trabalho muito austero tentar traduzí-la em palavras. Mas a gente tenta, mesmo balbuciando...

Outro ponto forte da fita é o elenco infantil, capaz de passar como quase nenhum adulto um idílio com o mistério ou algum sentimento parecido que faça essa ligação com as nossas raízes, perfeitamente ilustrada pela árvore Acácia, título da obra. O garoto órfão em uma crise existencial, mesmo através da frieza de seu rosto, deixa revelar sua carência, a necessidade pela sua raiz, buscando compensar isso na arte e em outro detalhe muito curioso, chamando a atenção de todos.

Com o término da película e um pouco de lucubração, podemos chegar a uma ideia de que durante a sua trama não houve eventos sobrenaturais. Entretanto, uma viagem na imaginação traumática das personagens, após um fatídico acontecimento, que é a grande surpresa do filme. Algo a mais foi puro capricho de uma excelente direção, que pega o aglomerado e ao fim exibe o crível, pedaço por pedaço, com requintes de genialidade.


O cinema sul-coreano vem mantendo a sua proposta com mais essa obra de qualidade, que foi injustamente maltratada pela crítica. Diante de tantos enlatados norte-americanos, cuja espécie suspense/terror está ameaçada de extinção, com suas mesmas e ultrapassadas fórmulas; um filme como “Acacia” ser mau recebido assim, ora, não passa de um crime cinéfilo e dos graves.

Resultado: Excelente!

25 de out. de 2011

Zona de Risco (2000)

Título Original: Gongdong gyeongbi guyeok JSA /ou/ Joint Security Area
Ano: 2000
País: Coreia do Sul
Diretor: Park Chan-wook
Gênero: Ação, Suspense
Elenco:
Yeong-ae Lee (Maj. Sophie E. Jean)
Byung-hun Lee (Sgt. Lee Soo-hyeok)
Kang-ho Song (Sgt. Oh Kyeong-pil)
Tae-woo Kim (Nam Sung-shik)
Ha-Kyun Shin (Jeong Woo-jin)
Christoph Hofrichter (Maj. Gen. Bruno Botta)
Herbert Ulrich (Swedish soldier)

Opinião:
Após assistir, é visível a importância nacional que “Zona de Risco” tem para a Coreia e a razão do sucesso de Park Chan-wook, aqui ele mostra valentia em criticar um polêmico assunto político, a divisão da Coreia; até deixa transparecer a sua ideia de um regime arcaico. Começa muito bem, embora perigosa, a sua carreira de cineasta.
Para melhor entender o sentimento de reconciliação que esse filme transmite, é preciso se imaginar coreano e sonhar em ver novamente seu país unido, uma união para o bem de todos. Talvez o filme não tenha sido bem recebido pela sua qualidade cinematográfica, entretanto, pela sua presunção ideológica de paz, tanto da Coreia do Sul como a do Norte, algo que, sem dúvida, deve comover muito o povo local.


O ator Song Kang-ho (Mr. Vingança; Sede de Sangue) e a atriz Lee Yeong-Ae (Lady Vingança) estão ótimos, embora o inglês dela tenha ficado com um aparente esforço.
“Joint Security Area” por ter uma temática séria e realista, Chan-wook evita “brincadeiras”, porém, não entrega a história fácil. Mesmo com uma dinâmica calma, a não-linearidade cheia de “flashbacks” de uma cena-chave, servindo como ângulos distintos de um acontecimento que está sendo investigado, causam um clima enorme de suspense e de difícil compreensão, o espectador precisa ficar bastante atento e buscar suas conclusões, pois a película em si não responde. Como se não fosse o bastante, o final cutuca ainda mais a ferida. Um bom filme.

Resultado: Bom.

24 de out. de 2011

I'm a Cyborg, But That's OK (2006)

Título Original: Saibogujiman Kwenchana
Ano: 2006
País: Coréia do Sul
Diretor: Park Chan-wook
Gênero: Comédia Romântica
Elenco: Lim Su-Jeong, Rain, Choi Hie-Jin, Kim Byeong-Ok

Opinião:
Afirmar sobre a proposta de quem criou a obra sem antes conversar com o próprio ou saber em alguma entrevista, apenas por observar, é uma atitude audaciosa e arriscada. Considerar filmes tentando compreender o ponto de vista do autor, o “eu acho” ou “eu esperava que fosse” torna-se bastante vulgar e egoísta; esses sentimentos ficam superficiais e desconcertantes, pois não são amigos da verdade. Mas, o que de fato é opinião pessoal sobre um filme? Compreender Cinema com esse método obsessivo é perigoso para o prazer individual.

Park Chan-wook é um extrator de camadas, um parasito observador, ele penetra e vai extraindo pouco à pouco e nisso revela-se muitos detalhes, muitas linguagens figuradas, ora criando identificação, ora estranheza; junto a uma belíssima fotografia e atuações soberbas. Talvez esse seja o principal gênio do cineasta, o seu ponto mais forte. Porém, esses recursos podem não satisfazer a todos, pois são longos e detalhistas, causando uma confusão enorme. Entretanto, todos devem concordar em algo, suas maluquices são magistralmente geniais e únicas.


“I’m a Cyborg, But That’s Ok” é uma odisséia na imaginação de criaturas tão singulares, de pessoas que criaram para si um mundo paralelo, um mundo ao qual não existem limitações. Apesar do gênero “comédia romântica”, não dá muito bem para definir esse filme, muitos comentaram que fala de uma história de amor, todavia, não é bem o clima. Não dá para sentir que as personagens estão apaixonadas, apenas que criaram uma sincera, inocente amizade, mesmo com beijos ou sexo.

Resultado: De bom à excelente!

22 de out. de 2011

Time - O Amor Contra a Passagem do Tempo (2006)

Título Original: Shi Gan
Ano: 2006
País: Coréia do Sul, Japão
Diretor: Kim Ki-duk
Gênero: Drama
Elenco: Ha Jung-Woo, Park Ji-Yeon, Kim Sung-Min, Seo Yeong-Hwa

Opinião:
Pesquisando melhor sobre Kim Ki-duk, descobrimos que ele tem formação em pintura e que começou a se interessar por Cinema em Paris, onde morou por algum tempo e sobreviveu vendendo seus quadros. Eis uma informação bastante óbvia e que explica objetivamente a força que as imagens ganham nos filmes desse cineasta, ou seja, ele também entende da sétima arte sob outro ponto de vista artístico, além de ser o próprio roteirista de suas obras; participando no passado de alguns concursos de roteiro e sendo muito notório entre os candidatos.

Quem assistiu os anteriores de Ki-duk, como “Primavera, Verão...”, “Casa Vazia”, “O Arco” (inclusive esse que gerou uma grande controvérsia entre os críticos, que chegaram a questionar a sua qualidade de diretor), poderá sentir uma diferença na forma de conduzir a trama em “Shi Gan”, por ser um tanto menos incomum e mais agradável para a maioria, por ser mais tolerável e comercial que os outros.

Aliás, “comercial” não é bem a combinação certa para o Cinema anticonvencional do Kim, pois em “Time” ele mantêm as suas singularidades que o prestigiaram, mas também apresenta diferenças, versatilidade de sua parte. Exemplo simplório disso é a fusão do impacto visual com os diálogos agressivos das personagens principais, o que antes parecia menosprezar essa linguagem, em “Shi Gan” ele supervaloriza.
O doutor insiste, mas ela...

“Time” é uma crítica áspera a essas tendências da estética, dessas buscas exageradas pela perfeita simetria e em alguns momentos até acusa as instituições, porém, depois deixa claro que a culpa é das pessoas com atitudes impensadas e complexos mau resolvidos. Um filme que brinca magistralmente com a arte da “camuflagem”, com o semblante familiar que os asiáticos possuem, nos deixando tontos (Risos!). Existem vários outros detalhes para muitas interpretações. 

SPOILER: como as edições de “Casa Vazia”; o parque de obras para maiores de idade e sem dúvida a cena da “máscara”, simbolizando o “amor contra a passagem do tempo”, mostrando tocantemente e contraditória o desespero, enquanto chorava por trás da fantasia, por fora ria com cinismo e deformidade, surreal. Um trabalho imperdível.

Resultado: Excelente!